Antena Ligada: Facção Caipira

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A banda Facção Caipira lança campanha de financiamento para o novo álbum, está com videoclipe recente na rede e responde nossas perguntas num Antena Ligada Especial.

Eles falaram sobre o novo trabalho, sobre os ótimos momentos e também dificuldades na estrada iniciada desde 2009 e ainda deram dicas de outros artistas independentes que estão mandando bem e são parceiros na cena musical de Niterói e proximidades.

Foto: Camila Padilha

Para quem não conhece ainda, Facção Caipira é uma banda niteroiense de blues rock misturado com ritmos brasileiros, formada por Jan Santoro na voz e na guitarra, Vinicius Câmara no contrabaixo e Renan Carriço na bateria. Criada em 2009 com uma formação um pouco diferente da atual, eles já se apresentaram em diversos palcos, estiveram no programa Superstar da rede Globo em 2015 e agora preparam com a ajuda da campanha de financiamento o próximo álbum.

O novo trabalho chama-se “Do Lugar Onde Estou já Fui Embora“, nome inspirado em um poema de Manoel de Barros. Produzido por Felipe Rodarte, o álbum vem sendo gravado no lendário Toca do Bandido estúdio fundado pelo saudoso Tom Capone (1966-1994) e localizado no Rio de Janeiro. O som segue na mistura potente de blues e rock mas com mais MPB e ainda toques de brega e marchinhas.

No dia 7 de agosto foi lançado o videoclipe “Vaidade“. Primeiro single do álbum, o vídeo dirigido e editado por Yuri Schuler e Fabrício Figueiredo foi gravado em plano sequência na cidade de Niterói.  Conforme a banda, sobre o clipe: “ Tem elementos que mostram a vaidade como algo imagético, da aparência física: espelho, penteadeira, estojo de maquiagem, pessoas super fantasiadas no bloco de carnaval… E ao mesmo tempo algumas cenas que tratam daquela vaidade interior, mais profunda, que reflete o sentido de orgulho, desengano e sofrimento. Uma vaidade que que não tem maquiagem que disfarce

Confira agora o videoclipe de “Vaidade” e logo depois a entrevista com o trio:

https://www.youtube.com/embed/IxO_OdE4Zoo

CPR – Esse será o terceiro trabalho do Facção Caipira, certo? Quais os conceitos que vocês estão pensando para esse trabalho? Que continuidades e/ou diferenças têm em relação a “Homem bom” e os trabalhos anteriores na sonoridade ou nas composições?

Jan Santoro: “Do Lugar Onde Estou Já Fui Embora” é o nosso segundo disco que está sendo gravado na Toca do Bandido (RJ). Temos o EP auto-intitulado (2012) que marca o momento que Renan entrou pra bateria da Facção, configurando assim a formação do “Homem Bom”, lançado em 2015 junto com nosso ex-companheiro de banda Daniel Leon que tocava a gaita na época. Em relação ao nosso disco anterior o que eu observo como continuidade está muito relacionado a nossa pegada de tocar. As músicas novas estão muito diferentes uma das outras, sinto que trabalhamos e mergulhamos em algumas ideias com mais profundidade, ritmos brasileiros, entre outras coisas. O jeito de cantar mais próximo da fala, a interpretação, o apelo do blues sempre evidente, os riffs e solos de guitarra enlouquecidos… Essas coisas foram as que mais percebi que trouxemos do “Homem Bom”.Já dando um spoiler, sobre as diferenças, vamos trabalhar com os arranjos mais variados nesse álbum novo, não existem limites para o que queremos construir, não tem um estilo musical que predomine, trabalhar com liberdade é vida. Em “Vaidade” já chegamos com um arranjo de metais elaborado pelo mestre Cyro Delvizio que conhecemos através do selo Toca Discos, demonstrando uma vontade de experimentar e trazer outras cores e conceitos pro que temos a dizer. Órgão, coro, metais… tem muito pra chegar junto e construímos um discão cheio de novidades e sentimentos.
Uma outra coisa que acho importante ressaltar é sobre a mensagem, sobre as composições, mudei muito minha maneira de escrever e compôr nos últimos dois anos em função das transformações que aconteceram em minha vida, conheci, perdi e convivi com tanta gente maravilhosa e cada uma delas mostrou de um jeito forte a importância de fazer da arte algo político, digo, que traga à luz e à sensibilidade algo que eu e os Caipiras acreditem que possa trazer algum tipo de conforto, paz ou até mesmo dividir os nossos sentimentos de revolta.

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CPR – Comentem sobre a produção do clipe “Vaidade”, como se deu a gravação nas ruas de Niterói?

Vinícius Câmara: O clipe de “Vaidade” foi um trabalho produzido em conjunto com a Útero Produções, uma produtora fonográfica e audiovisual niteroiense assim como nós, a partir de uma ideia trazida pelo Jan. A gravação se deu em Icaraí, bairro onde a banda nasceu, num sábado, e foi especialmente divertida, já que convocamos a ajuda de fãs e amigos que compareceram e deram vida ao bloco de carnaval.  Todo mundo se fantasiou, levamos alguns instrumentos e literalmente botamos o nosso bloco na rua! A maioria dos personagens também foram interpretados por pessoas próximas e queridas, o que tornou a produção ainda mais especial e leve pra gente. O clima foi muito bom, a equipe muito competente e tudo rolou da melhor maneira possível.

CPR – Comentem um pouco como foi a retomada da banda após o assalto de poucos anos atrás, em que perderam instrumentos, e agora estão produzindo um trabalho novo.

Vinícius Câmara: O assalto foi um momento bastante triste pra gente, pois não foi fácil ver todo o nosso equipamento de trabalho indo embora dessa maneira, sem contar o prejuízo financeiro. Mas acabou que essa situação desagradável gerou uma onda enorme de solidariedade que nos deu a força necessária pra não nos abalarmos com isso. Muitos amigos ajudaram de diversas maneiras, seja contribuindo com a vaquinha que fizemos, ou emprestando e até doando instrumentos e equipamentos para que a gente conseguisse continuar tocando. Logo em seguida passamos por mudanças na formação e fomos morar juntos, numa casa onde transformamos a sala de estar em estúdio (que batizamos de Estúdio Quintal) e foi lá, com essa energia de renovação e reinvenção, que concebemos as músicas juntos e acho que isso se transportou para o nosso som de maneira bastante evidente. Acho que a gente conseguiu transformar aquele incidente, aquela energia negativa, numa coisa boa que rearejou e impulsionou em muito o som e a ideia que a gente mesmo tinha da banda. Fizemos das tripas coração. 

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CPR – Vocês passaram por vários locais importantes fazendo shows, estiveram no programa Superstar da Globo, como têm sentido a resposta do público nesse tempo? O que mudou desde o lançamento do primeiro álbum para cá?

Jan: Estamos muito felizes com a resposta do público, afinal, nosso último lançamento antes de “Vaidade” era o single de “Faroeste Caboclo” para a coletânea “Viva Renato Russo 20 anos“, então não saberíamos como seria a recepção de “Vaidade” com tantas mudanças na sonoridade (sai gaita, vem tuba, trompete, trombone, sax, uma pegada de marcha-rancho, música com um refrão bem demarcado) ficamos com um medo que rapidamente foi vencido com o calor de quem acompanha  a gente. Tem sido maravilhoso. Lançar o clipe com a nossa campanha de disco novo foi ótimo porque estamos nos aproximando muito das pessoas que nos seguem e dão força pra gente trabalhar a nossa música, então me sinto como se estivesse lançando o primeiro álbum de uma nova etapa da banda, é louco, então, ao mesmo tempo que vejo muita gente que acompanha a gente desde o começo com todo amor do mundo, observo que, pela mudança que vivemos, estamos nos conectando com muito mais pessoas, que inclusive já tinham ouvido falar na gente por algum motivo (algum show, superstar, nossos vídeos no YouTube, singles, programa estação roquenrou) mas que vieram a conhecer e engajar no nosso trampo depois de “Vaidade”. Isso é sensacional.

CPR – O que estão achando da cena independente de Niterói e o RJ em geral, por exemplo, a disponibilidade de espaços para shows? O que têm ouvido de interessante em termos de artistas que também estão nessa trilha?

Jan: Não tem como falar da cena sem dar as caras, aqui em Niterói vejo a efervescência histórica de bons músicos e produtores. Agora mesmo participei sozinho do Serra Folk, festival em Cachoeiras de Macacu. Subi a serrinha com os conterrâneos da Barcamundi e a Gragoatá que tem trabalhos maravilhosos, cantamos no dia com Cátia de França, foi incrível, o show dela tem a força da natureza. Eventos como esse mostram o quanto estamos conectados, o Fanner da Gragoatá toca comigo no meu projeto solo, o pessoal da Barcamundi já lançou um EP junto com a Gragoatá, Rebecca Sawuen tá em carreira solo e lançou uma música f*da do João Barreira que também compõe pra Barcamundi, enfim a galera toda tá conectada, o domingo de festival também só comprovou isso, que delícia foi ver a galera da Porangarete fazendo um show único com tanta gente boa reunida, Julia Vargas, Juliana Linhares, Duda Brack, Chico Chico, Daíra, Posada, João Mantuano, Gui Flemming, Agatha, Pedro Friederich, Rodrigo Garcia, que finde!
Tenho observado um circuito de shows gratuitos no RJ também que têm sido incrível, a música tem tomado as ruas, vejo a Biltre (amo de coração) fazendo suas festas (Minha Luz É de Led), os shows do projeto Mar de Música que já trouxe tanta gente maravilhosa e editais da prefeitura como o Arte na Rua (Niterói) e outras iniciativas independentes, estamos sempre produzindo, a música tem vida própria, os espaços quando não existem a gente cria.

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CPR – Para terminar falem sobre o projeto de financiamento público do novo álbum e convidem os internautas para contribuírem.

Jan: O financiamento coletivo nada mais é do que uma pré venda do nosso álbum e de outros produtos que vão compor nossa banquinha de merchan (camisa, pôsteres). Assim, através das contribuições a gente poderá custear nossas gravações e fazer esse disco acontecer.O site da campanha é www.catarse.me/faccaocaipira lá você pode dar uma olhada nas recompensas que estamos oferecendo! Tá muito irado, além das recompensas de merchan também temos outras opções bem maneiras que é produzir uma faixa ou comigo ou com Renan, lá no estúdio que a gente mora. Tem também a aula de composição e interpretação que é um rolê que eu desenvolvi pra estimular as pessoas a criarem músicas, tem dado super certo, não precisa de conhecimento de teoria musical, basta ter algum tipo de material escrito (poesia ou prosa) e a vontade de cantar. Além disso temos a audição do disco aqui no estúdio, shows da facção e o meu solo (falando sobre as músicas) e aulas inglês com o Vini! E a maravilhosa cesta de orgânicos da Quitanda Natural que já está quase no final! Confere que tá bonito, estamos precisando de vocês.
É muito importante cada apoio, a campanha é Tudo ou Nada, ou seja, se a gente não bate a meta, as contribuições voltam para as pessoas! Então contamos com toda divulgação e contribuição possível! 
Muito obrigado por essa entrevista! Ficamos muito felizes!
Abraços de toda Facção!

Foto: Ruan Forecchi

Nós do CPR que agradecemos a banda e a Izabela Costa, jornalista e assessora de imprensa que possibilitou essa entrevista.

Já sabem galera, o projeto ficará disponível até 28 de setembro pelo link:
https://www.catarse.me/faccaocaipira

Além das recompensas que Jan falou, algumas outras de acordo com o valor do apoio são: R$ 25: agradecimento nas redes sociais
R$ 80: disco físico (CD) + camisa (três opções de arte disponíveis)
R$ 1600: Show completo do trio tocando o repertório do Novo disco e algumas músicas do álbum Homem Bom (2015)

Equipamento de som completo por conta do contratante (inclusive RJ ou qualquer região do país); Fora da Grande Rio (RJ), alimentação, transporte e hospedagem (5 pessoas) também é por conta do contratante.

Mais um pouco do Facção Caipira, agora o clipe de “Levada“, faixa do “Homem bom”, que fez bastante sucesso quando lançado no VocêTubo:

Agora a sonzeira de “Ex-fumante” também faixa de “Homem bom”:

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Muito sucesso para a Facção Caipira! Fechamos com o áudio de “Blues Brasileiro Foragido Americano“, que é muito foda, faixa 2 de “Homem bom”:

Fonte: Jornalista e assessora de imprensa 
izabelacosta.imprensa@gmail.com
11 973 471 280

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