Baú do Som: R.I.P. David Bowie

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Essa é uma daquelas noticias que a gente não quer acreditar e, muito menos, escrever sobre. Na sexta-feira, eu estava toda contente escrevendo sobre o mais recente álbum de David Bowie, BlackStar, lançado nessa mesma sexta, dia 08/01, dia em que Bowie completava 69 anos. Por motivos de internet ruim, acabei não fazendo o post. Hoje pela manhã descubro que Bowie se foi, e preciso escrever esse obituário. Contudo, não dá para negar a realidade, só nos resta aceitar e prestar nossas mais sinceras homenagens a um dos maiores artistas que já passaram por esse planeta.

Através de comunicado página oficial de Bowie no Facebook, foi divulgado que o camaleão faleceu no domingo, dia 10/01:

“David Bowie morreu em paz hoje, cercado por sua família depois de uma corajosa batalha de 18 meses contra o câncer. Enquanto muitos vão dividir a dor pela perda dele, pedimos que vocês respeitem a privacidade da família neste período de luto”, informou o comunicado oficial.

Em seu Twitter, o diretor Duncan Jones, filho mais velho de Bowie, confirmou a informação:

Apesar de se manter sempre ativo, lançando novos álbuns e vídeos, Bowie longe dos holofotes desde que passou por uma cirurgia cardíaca da emergência em 2004. Sua última performance ao vivo foi em um show de caridade em Nova York, em 2006.

David Bowie foi (e continuará sendo) um dos maiores ícones da cultura pop, assim como The Beatles, influenciado fortemente na música, no cinema, na moda e etc. Famoso pelos personagens que criou, como Ziggy Stardust, e sua enorme capacidade se se reinventar ao longos dos anos, mesclando diferentes estilos musicais, mas mantendo-se sempre relevante, David Robert Jones nasceu no bairro londrino de Brixton, no dia 8 de janeiro de 1947 e começou a tocar saxofone aos 13 anos. Aos 15, formou sua primeira banda, The Konrads. No inicio da década de 60, adotou o sobrenome Bowie, pois seu nome de batismo gerava alguma confusão com Davy Jones, do grupo The Monkees.

O primeiro single, Liza Jane, saiu sob o nome Davie Jones with the King Bees, em 1964, sem sucesso. Sua carreira começou a decolar com o lançamento do álbum de estreia, de mesmo nome, em 1967. Mas, o primeiro marco em sua trajetória veio no segundo trabalho, chamado David Bowie (e depois rebatizado como Space Oddit), em 1969. Este álbum foi o início da parceria de Bowie com Tony Visconti, produtor que viria a trabalhar com o artista diversas vezes mais tarde. É de Visconti, inclusive, a produção dos dois últimos discos de Bowie, The Next Day (2013) e Blackstar.

Em 1972, lançou The rise and fall of Ziggy Stardust and the spiders from Mars. No importante disco, no qual narra a história de Ziggy Stardust, um extraterrestre bissexual e andrógino que virou estrela do rock, mostrou duas de suas principais influencias: o teatro japonês kabuki e a ficção científica.

Provocador, enigmático, inovador, dono de uma voz única e múltiplos talentos, o britânico é sinônimo de originalidade e não foi a toa que se tornou uma das grandes lendas do Rock e da música em geral. Seus sucessos foram muitos, entre eles: Let’s Dance, Space Oddity, Heroes e Life on Mars.

Em 2006, o cantor anunciou que tiraria um ano sabático e surgiram vários rumores sobre sua saúde. Esse hiato musical foi quebrado apenas com algumas colaborações esporádicas, como sua aparição por surpresa em um concerto de David Gilmour, no Royal Albert Hall de Londres, em 2006 ou os backing vocals do disco de estreia de Scarlett Johansson, Anywhere I Lay My Head, de 2008.

Há três anos, o músico britânico escolheu o dia de seu aniversário para acabar com a pausa, lançando a música “Where Are We Now?”. Dois meses mais tarde, chegou o excepcional álbum The Next Day. Como escrevi no inicio do post, na ultima sexta, ocorreu o lançamento de Blackstar, que você pode ouvir aqui:

A carreira de ator também foi marcante, atuando em filmes como O Homem que Caiu na Terra, de Nicolas Roeg, Labirinto, de Jim Henson, Fome de Viver, de Tony Scott, Merry Christmas, Mr. Lawrence, de Nagisa Oshima, A Ultima Tentação de Cristo, de Martin Scorsese e O Grande Truque, de Christopher Nolan, só para citar alguns. Nos anos 80, Bowie viveu O Homem Elefante no teatro e sua atuação foi muito elogiada, por abrir mão da maquiagem e apostar na construção física do personagem.

O Homem que Caiu na Terra
com Henson e Jennifer Connelly nos bastidores de Labirinto
com Catherine Deneuve, em Fome de Viver
A Ultima Tentação de Cristo
Merry Christmas, Mr. Lawrence
O Grande Truque
O Homem Elefante

Bowie deixou dois filhos: Duncan Jones, fruto de um primeiro casamento com Angela Bowie e Alexandria Zahra “Lexi” Jones, filha da modelo somali Iman, com quem estava casado desde 1992.

Desde que passei a entender um tiquinho de música, Bowie se tornou meu cantor favorito, então, não posso evitar a tristeza, mas vamos concluir essa pequena homenagem, com alguns dos vídeos de Bowie que mais gosto:


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Dri Tinoco

Formada em Letras, apaixonada por Literatura e viciada em Cultura Pop. Tornou-se irremediavelmente fã de Jaspion aos 3 anos. Quando criança (e ainda hoje) preferia os filmes do Schwarzenegger a qualquer desenho da Disney e acha que o Viggo Mortensen também é lindo sem a caracterização de Aragorn