Cinema no Aconchego do Lar- O Massacre da Serra Elétrica 2

Espalhe!

The Texas Chainsaw Massacre 2

Direção: Tobe Hooper

Elenco: Dennis Hopper, Caroline Williams, Jim Siedow, Bill Moseley

EUA, 1986

Se você gostou de Massacre da Serra Elétrica 2, saiba que não está mais sozinho!

Well, O Massacre da Serra Elétrica original (1974) é um clássico indiscutível do cinema e isso não se discute. Eu realmente adoro o filme e toda aquela atmosfera pesada, aquela sujeira. Faz parte da minha lista de 100 filmes favoritos de todos os tempos, só digo isso. Até agora nunca tinha visto a sua criticada sequência, mas eis que ela me aparece no catálogo da Netflix (oba!). Pelo tanto que ouvi sobre a obra, fui preparado para assistir algo completamente diferente do original (todo mundo deveria ter feito o mesmo depois de ver o cartaz impagável com os bizarros Sawyer imitando a galera do pôster do Clube dos Cinco). Ao final, eu tinha visto algo realmente bem diferente. E isso não foi ruim.

Tobe Hooper, mesmo diretor do primeiro, vinha de inúmeros fracassos na época quando aceitou fazer essa continuação pela Cannon (de uma batelada de filmes de ninjas, sequências de Desejo de Matar e filmes do Chuck Norris). Para a Cannon, Hooper já havia realizado também Invasores de Marte e, o hoje cultuado, Força Sinistra. Os dois haviam naufragado bonito nas bilheterias. Numa melhor de três, resolveram apostar as fichas restantes na parte 2 do maior sucesso de Hopper.

A trama de Massacre 2 começa com dois imbecis dirigindo alucinadamente em direção ao Texas. Enquanto atiram em placas de trânsitos e fecham outros carros, eles ligam para a rádio local para passar trote na apresentadora Vanita “Stretch” Brock (a interessante Caroline Williams). Ocorre que eles irritaram os Sawyer e viraram alvo, sendo perseguidos pela autoestrada e mortos por Leatherface. Ao vivo, tudo gravado pelo programa de rádio. Dennis Hopper entra na trama no encalço dos assassinos de Franklin, uma das vitimas do filme original, e forma parceria com a radialista, que põe a fita para tocar no programa e acaba atraindo os psicopatas.

Essa segunda parte de Massacre foi realizada 12 anos depois do original. Com raras exceções, o cinema de horror nos anos 80 não se levava muito a sério. O “terrir” dominava e o slasher já tinha virado piada com a enorme gama de fitas de gosto duvidoso e as inúmeras sequências de sucessos do gênero. Convenhamos, repetir O Massacre da Serra Elétrica também não é das tarefas mais fáceis (vide o remake de 2003). Os realizadores optaram então por fazer o que pode ser considerado quase uma paródia, e, compreensivelmente, irritaram uma boa parcela dos fãs do clássico.

Enfim, pelos relatos que eu já havia lido net afora, fui preparado para ver uma bosta de filme mas o que vi foi simplesmente uma das melhores comédias de horror daquela década bizarra. Hooper entrega uma sátira do conceito original, carregada de humor negro e cinismo, recheada de nonsense (o filme tem mais de 30 anos, mas…SPOILERS no parágrafo abaixo)

A cena de abertura, com Leatherface perseguindo os babacas ao volante, já me conquistou de cara. Outro grande momento é quando Leatherface invade a radio atrás da DJ e começa a demonstrar “sentimentos” pela moça. Some a isso Dennis Hopper, loucaço (uma redundância, verdade) e armado com TRÊS motoserras, invadindo o covil dos vilões. Ele interrompe uma versão burlesca da cena do jantar do primeiro filme e começa um inacreditável duelo de motosserras com Leatherface. A cereja no bolo é Vanita, ao final, segurando uma motosserra pro alto e urrando, quase fazendo a mesma dança que o Leatherface fez no final do original. Que encerramento. (fim dos SPOILERS).

Embora nem de longe tenha a mesma tensão do original e nem tente repeti-lo, o gore é garantido com a maquiagem competentíssima do grande Tom Savini e toda a enorme sequência no esconderijo dos Sawyer prende a atenção, com seu misto de horror e absurdos bem orquestrados por Hooper. Massacre 2 é melhor do que muita continuação de filme de horror que já vi por aí. Uma das melhores de todos os tempos, perdendo apenas para Evil Dead 2.

Hooper faz praticamente mais do que uma sequência, ele faz uma releitura da obra original e aí encontra sua originalidade, um frescor, nos dando mais que uma mera reciclagem. Massacre 2 pode até ter uns probleminhas de roteiro, tipo os Sawyer deixando vitimas para trás, mas isso é compensado por tiradas como o patriarca Jim Siedow reclamando das agruras da vida de microempresário, hahaha, e outros momentos inspirados, nunca se levando a sério.

Continuo preferindo o original, mas Massacre 2 tem agora meu carinho. Vale bem mais a pena que o remake fedido de 2003, cometido pelo horroroso Marcus Nispel. Até aqui, do que eu vi, o pior filme de Hooper segue sendo Poltergeist que, sabemos, tem o dedinho do Steven Spielberg.


Espalhe!

Marc Tinoco

Um cara igual aquela série. Cheio de referências.