Mofofilms: Quanto Pior, Melhor

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A Volta do Guerreiro Americano
American Ninja 2: The Confrontation
Diretor: Sam Firstenberg
Elenco: Michael Dudikoff, Steve James, Mike Stone, Gary Conway, Michelle Botes,  Jonathan Pienaar, Ralph Draper.
EUA, 1987



Chegamos, assim, ao ultimo Mofofilms Ninja, pelos 25 anos do Jiraiya, aquele que é ninja e é incrível também. Sim, o ultimo. Já falei aqui da trilogia ninja da Cannon (Ninja, A Máquina Assassina, Ninja II: A Vingança do Ninja e Ninja III: A Dominação) e, dessa mesma produtora, também já comentei American Ninja. Na realidade, American Ninja foi uma franquia de cinco filmes, mas como o CPR segrega os três últimos, com o sub-Van-Damme, encerramos com American Ninja 2. Se você achou o primeiro filme tosco e exagerado, bem, repense, por que a Golan-Globus e o diretor Sam Firstenberg (que dirigiu todos esses filmes de ninja, a partir de A Vingança do Ninja) vão ainda mais fundo, em uma trama de ficção cientifica, cheia de ação. Hahahahahahahahahahaha. Vamos, a essa fantástica “trama”. Logo nos momentos iniciais, depois de uma abertura à lá Kamen Rider, vemos como o marinheiro Tommy Taylor ( Jonathan Pienaar), leva seus companheiros à uma armadilha:

 Kaaaaaaaaaameeeeeeeeeeeen Rideeeeeeeeeeeeeeeeeeeeer Blaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaack!

De boa, só tomando uma cervejinha

 Robinho até estava indo bem…

… até tentar fazer um passinho de balé

 Taylor só observa…

enquanto os ninjas ficam esperando no armário de vassouras, para só carregar a mercadoria

Para descobrir porque os soldados tem desaparecidos, nossos heróis Joe Armstrong (Michael Dudikoff) e Curtis Jackson (Steve James) são enviados a tal ilha para investigar. Obviamente, eles desconfiam de Taylor. Afinal, não precisa ser gênio para imaginar uma ligação entre os sumiços e o cara que é sempre o ultimo a ver os desaparecidos. Claro, que esse terrível plano tem o envolvimento de gente poderosa do próprio exercito e Joe passa a ser o alvo.

 Com essa cara ou está tramando algo, ou é bem gay ou está tramando algo gay

 “-Ui, gamei”

 “-Algo não me cheira bem”

Quem desconfiaria do Taylor?

 Cuidado! Ninjas! Ou seria a Perpetua, de Tieta, correndo ali?

 Porradaria e acrobacias on the beach

 Esses ninjas são muito colaborativos

 Jackson também mostra a sua habilidade
 Joe investiga
E quebra todo mundo
Mas, não faz mal, pois os inimigos possuem fator de cura, tal qual o Wolverine, e já se recuperam 

 para apanhar mais ainda, na cena seguinte

Sendo atacado, Joe sabe que está na pista certa e pressiona Taylor. Este acaba entregando o nome do responsavel pelos sequestros: o ricaço da região, Leo ‘The Lion‘ Burke (o impagável Gary Conway, que assina o roteiro dessa pérola e também de outros dois filmes Golan-Globus: American Ninja 3 e Falcão: O Campeão dos Campeões). Entretanto, Taylor não tem tempo de dar maiores detalhes, porque, ao ouvir um barulho, vai dar uma olhadinha na janela e…

Mas, Joe não fica muito tempo sem pistas, pois ao investigar o ricaço em uma festa, depara-se com Alicia Sanborn (Michelle Botes), que invade a parada, para xingar e esbofetear Lion. Sabe-se lá o que a moça esperava conseguir com esse chilique, o que se sabe é que Joe e seus amiguinhos vão ajudar a mocinha em perigo e através dela ficam por dentro dos planos do vilão. Alicia é filha do Professor  Sanborn (Ralph Draper). O pobre doutor foi coagido pelo terrível Lion a trabalhar em um projeto em que transforma os marinheiros sequestrados em ninjas molengas, em uma produção de larga escala. Nesse ínterim  ficamos conhecendo também Tojo Ken (Mike Stone, dublê nos outros filmes da Golan-Globus e coreografo da porradaria)

 Um capanga elegante, não luta sem o seu chapéu

 O que leva alguém a segurar o bandidão pelo colarinho?

 Pediu por isso

 “-Droga! O chefe corre tanto que nem tive tempo de botar a camisa para dentro das calças”

 Essa doeu

Você deve estar pensado, que essa trama não faz o menor sentido. E não faz mesmo. é uma idiotice sem pé-nem-cabeça, inverossímil até para uma criança de dez anos. Porém, isso não importa, pois essa história é só uma desculpa esfarrapada para sensacionais cenas de ação e pancadaria, como a perseguição, em que Joe tem que lidar com um ninja doidão, mais grudento que carrapato:



 reparem que explode antes do carro tocar no posto de gasolina
 Uma pausa para contar uma triste história e namorar um pouquinho

 Tente não rir do discurso do vilão sobre os Super Ninjas

Os ninjas de laboratório mostram suas habilidades

 até Tojo Ken, que não foi feito em laboratório, chegar e matar um monte deles

Enquanto isso, Joe já invadiu a parada, com sua namoradinha

 Uma pausa para meditar, relembrar o passado e trocar de roupa
 Joe consegue libertar os soldados sequestrados

 Mas leva-os direto para a arena, onde os vilões já esperam

Assim como no primeiro filme, American Ninja 2 também se encerra  com uma grandiosa cena de ação, em que Joe enfrenta um monte de ninja bundão, além de Tojo Ken, o único que não é bundão, e o exercito, tendo Jackson à frente, chega explodindo tudo, com muitos fogos de artificio.

 O Professor explode suas criações fraquinhas (atenção para os manequins)

 Tojo Ken mostra que seu forte é a espada, porque com um trabuco ele acerta todo mundo, menos o Joe


Robinho é espertão…

 se finge de morto e só se levanta quando a batalha já acabou

 “- Meu pai? Que pai? Eu só sei que o Joe ganhou a luta”

Resumindo, American Ninja 2 tem uma trama ainda mais estupida que seu antecessor, cenas de ação ainda mais exageradas, aliado a isso, possui verdadeiros rombos em seu roteiro e erros grosseiros de edição. Porém, é exatamente na sua ruindade, que ele faz a volta e acaba ficando bom. Se não fosse a sua capenguice, que acaba divertindo, juntamente com as lutas (essas sim criativas e muito bem coreografadas), ele seria apenas uma bomba. Mas com esses dois pontos, passa a ser uma bomba divertida, muito melhor que o pretensioso e recente Ninja Assassino, que tem um roteiro igualmente bobo, mas se leva a sério e não tem uma luta que preste, sendo apenas tedioso. American Ninja 2, assim como todos os outros da Cannon, analisados pelo CPR, são exemplos do “bom filme ruim”. Se você está a procura de roteiro, boas interpretações, esse não é o filme para você, agora se você curte se divertir com um trash descerebrado, vá fundo



Eu sei que o post já está muito longo, mas não posso resistir  a mais alguns prints. Tenho que confessar que eu adoro esse filme, mais até do que o primeiro, já vi uma dúzia de vezes, na televisão e, mais tarde em DVD. E eu gosto dele exatamente porque é ainda mais nonsense e ainda pior em termos técnicos:

Tojo Ken na primeira cena em que mostra a cara

 Tojo Ken e sua cicatriz. Ele deve ter se cortado fazendo a barba, já que essa cicatriz não estava ali anteriormente

 Joe presenteando um garoto local  com um canivete. Assim ele não vai mais precisar pedir dinheiro, não é mesmo?

 Zagallo?

 Essa cena era muito perigosa, tiveram que colocar um dublê no lugar do Dudikoff

 Ei, moleque, tá acenando para a direção errada

Bela edição, em que o sujeito coloca o chapéu duas vezes seguidas


 Depois de assistir a esse filme tantas vezes, tive que reparar no figurante, em duas cenas diferentes, com a mesma roupa e o mesmo olhar

Outro ponto de destaque nesse filme é o maravilhoso figurino de bazar de igreja

 Que bela moda praia

 pegou o short da irmã

 Nessa imagem reparem: a calça apertada do Joe, que marca o equipamento, a prostituta toda coberta e o camarada no fundo, que mais parece o Pateta com fantasia de marinheiro

 Fantasia de Pedrita?

 Courtney Love, é você?

 HAHAHAHAHAHAHAHA

 Bonito shortinho listrado, camarada!

Para completar, o filme fica ainda mais engraçado no DVD lançado aqui no Brasil pela desconhecida distribuidora  Kives (o primeiro foi saiu pela MGM). As legendas são impressionante. Para começar, quem fez não entende nada de forças armadas. Os “mariners” (marinheiros) são chamados de fuzileiros e Joe e Jackson que são “rangers”, recebem tudo quanto é nomenclatura: Army, guardas, policiais, escriturários e até vagabundos

 Era para ser marinheiros, não fuzileiros aqui


Para completar, quem fez a a legenda tem problemas de audição:

A legenda transforma Jackson em um beberrão. A fala do personagem, logo ao desembarcar na ilha, era: “What do you think?” (O que você acha?), mas vira “O que você quer beber?”. Confusão de “think” (pensar, achar) com drink (beber)

Outro caso interessante é Charlie, o marinheiro que ajuda Joe e Jackson, que ganha um perfil homossexual. A fala, após o grupo ganhar uma bronca de um oficial, era: ” Lucky guys”, ou seja, um irônico “sortudos”. Mas parece que entenderam “Love you, guys”. Hahahaha, maldita cera de ouvido.

Bem, por hoje é só p-p-essoal. Lembrando, que infelizmente, o nosso mês do Jiraiya termina amanhã.
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Dri Tinoco

Formada em Letras, apaixonada por Literatura e viciada em Cultura Pop. Tornou-se irremediavelmente fã de Jaspion aos 3 anos. Quando criança (e ainda hoje) preferia os filmes do Schwarzenegger a qualquer desenho da Disney e acha que o Viggo Mortensen também é lindo sem a caracterização de Aragorn
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