Cinema no Aconchego do Lar: Trainspotting

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Guest post do Rafael Castro Alves

 

 

Trainspotting

Direção:  Danny Boyle
Elenco:  Ewan McGregor, Kelly Macdonald, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Kevin McKidd e  Robert Carlyle
Reino Unido, 1996 
Trainspotting é um filme de 1996, dirigido por Danny Boyle, com roteiro baseado no livro dramático escrito por Irvine Welsh, três anos antes.
Situado na Escócia, o filme retrata o ‘boom’ da heroína na década de 80, mais precisamente contando a história de cinco adolescentes, pelo olhar e ponto de vista de Renton, muito bem atuado por Ewan McGregor.
A película começa já frenética, é visível os cortes rápidos logo no começo do filme, e nos primeiros minutos, os personagens já são apresentados e e suas caricaturas, marcantes e chamativas, logo postas em tela, tendo seus nomes sobrepostos diante da cena. A crítica social fica visível, embora não seja o foco do filme, também a possui (”escolha viver”, ”escolha um emprego”).
 
Tudo apresentado no filme possui um significado, a personalidade dos personagens são exteriorizadas diante do cenário, que é caótico, sujo, anárquico, bagunçado. A fotografia tem cores vibrantes, e a montagem e edição fazem jus a proposta, criando uma metalinguagem essencial para o filme (tendo também muitos diálogos sobre a cultura da época, em filmes e bandas) como em cenas de uso de drogas, que são constantes (não fazendo o filme ser banal): Ao usarem heroína em certo momento, a câmera se torna lenta, mostrando Renton caindo no chão, dopado, uma analogia ao efeito da mesma possivelmente, dando a sensação das personagens ao telespectador, o desligamento das coisas, a lentidão e alienação do mundo a fora. Em outra cena e contexto, um dos personagens, só não sendo o melhor pois todos são, usa ‘Speed’
componente químico que acelera o corpo de diversos modos, e o filme, de novo, nos transporta para a percepção que tal personagem esta tendo, que em uma entrevista de emprego, fala desesperadamente e loucamente em conjunto de zooms de câmera (embora não bruscos) sem parar. E essa linguagem é constante, em todos os aspectos.
 Se o movimento de câmera, que esta aliás, se encontra em criativos e diferentes lugares (plongée, contra plongée, ‘de nuca’, travelling etc) passa a ideia dos efeitos e percepções das personagens, a trilha sonora, psicodélica e agitada, nos transmite uma inquietação as vezes de certo modo irritante (mas no bom sentido), como se escutássemos os pensamentos perturbados das personagens. Em uma cena em que Renton está passando mal sob efeitos de drogas na cama, uma batida constante acompanha suas alucinações, e isso causa um tremendo desconforto.
 
Dentro de tudo isso, utilizando um roteiro não extremamente complexo, mas de modo tão bem construído, Trainspotting nos entrega uma ”viagem” (no duplo sentido mesmo), em que todos os atores são consistentes e possuem suas características próprias apesar de serem um bando: o briguento malvado Begbie (Robert Carlyle) ‘quebra’ o ritmo do longa, uma cena que não passa de uma simples conversa de bar se transforma em algo absurdo e violento, o até então livre das drogas Tommy (Kevin McKidd), Sick Boy (Johnny Lee Miller), que nos doa umas doses de seus pensamentos confusos e filosóficos, Spud (Ewen Bremmer), o idiota, cômico e até um pouco inocente da história, e o protagonista e citado Renton (Ewan McGregor).
 
Passando por várias vertentes, o filme nos faz rir e pensar, nos entrega momentos que achamos cômicos e outros absurdos e até chocantes, numa produção digna de um filme polêmico e que se tornou ”cult” (filme que não necessariamente arrecadou fama mas conseguiu ‘seguidores’/fãs assíduos), se tornando um clássico dos anos 80, viciando vários telespectadores diante de sua filmagem, história e construção.
Vince Gilligan, diretor de Breaking Bad, pelo menos aprova, pois na mesma há uma referência, da qual Jesse usa a principal droga do longa metragem (heroína), e flutua sobre a cama (cena do tapete afundando no filme). Fora a cena da privada, que dispensa comentários, o filme vale a visualização de quem ainda não deu a chance.

Rafael Castro Alves estudante e apaixonado por Cinema, amante dos livros e viciado em games. Revoltado por não ter descoberto um jeito de escapar da Matrix.

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