Review – Capitão Fantástico

Espalhe!

Captain Fantastic

Direção: Matt Ross

Elenco: Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso, Nicholas Hamilton, Shree Crooks, Charlie Shotwell, Trin Miller, Frank Langella, Steve Zahn.

E.U.A. 2016.

CONTÉM ALGUNS SPOILERS.

Cerimônia do Oscar chegando e agora que já falamos de todos os indicados a melhor filme ainda está em tempo de dar meu  parecer sobre mais um filme presente em alguma indicação. Capitão Fantástico concorre a melhor ator para  Viggo Mortensen, sua segunda indicação, a anterior foi por Senhores do Crime.

A trama do filme conta a história de Ben (Mortensen), que há algum tempo decidiu criar os seis filhos numa floresta do Pacífico totalmente isolados da sociedade. Seu objetivo é que os filhos cresçam como pessoas saudáveis de mente e corpo, livres de tudo que há de destrutivo na sociedade moderna. Porém, um fato acontece, a mãe das crianças, que estava internada, falece e eles são obrigados a deixar seu mundo e encarar a sociedade para fazer valer os desejos finais da falecida mãe e esposa.

No decorrer vemos que a ida para a floresta abandonando a cidade tinha a ver com a doença da mãe, Ben acreditava que estava protegendo a família afastando-os do caos da sociedade individualista capitalista. Agora com a morte de sua esposa, ele entra em conflito novamente com esse mundo. O principal enfrentamento será com o avô das crianças, pai de sua esposa,  interpretado por Frank Langella, mas também em cada lugar que eles chegam é uma tensão diferente, pois as crianças vão ter curiosidade e estranhamento com esse mundo. A cena na casa da família da irmã de Ben, por exemplo, num simples jantar, é uma das melhores para entender o choque entre esses dois modos de vida.

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Algumas pessoas começaram a dizer que o filme é esquerdista e que passa a ideologia socialista. Como vem acontecendo com tudo nesse país, tudo vira discussão “coxinhas versus petralhas”. De fato os personagens são libertários, as crianças foram criadas pelos pais a partir de ideias de liberdade e direitos, pensamentos de nomes como Marx perpassam seus ideais. Só que o filme está longe de ser uma propaganda do socialismo. Primeiro que socialismo não é abandonar a cidade e viver no mato, essa ideia é um erro de quem nunca leu nada das bases do socialismo. As atitudes dos personagens estão mais para filosofia hippie e outros movimentos do que para socialismo, quer uma vida junto da natureza, desprezando a modernidade caótica. Ben cita em vários momentos o filósofo e linguista Noam Chomsky, que nem pode ser simplesmente taxado de socialista.

Outra questão é que o filme não deixa de mostrar as contradições do modo de vida de Ben, chegando até mesmo a por os filhos em risco em alguns momentos. Além disso, Ben estaria disposto a deixar os filhos escolherem como e onde viverem? O filme mostra como ele vai lidando com esses enfrentamentos, afinal os filhos crescem e desenvolvem ideias diferentes dos pais.

O diretor Matt Ross fez um bom trabalho. Esse é o seu segundo longa, ele trabalhava como ator coadjuvante em filmes como A Outra Face e Boa Noite e Boa Sorte. A produção do filme, desde design, fotografia até trilha sonora são  certeiras. Eu gosto do desenrolar da trama, a única coisa que me deixou achando que faltou mais acontecimentos foi no final. Contrariando o pai de sua esposa, Ben junto dos filhos “roubam” o corpo da mãe, que não queria ser enterrada conforme o catolicismo, ela deixou instruções de como queria e assim eles o fazem. Achei que haveria consequência séria com o avô indo atrás, afinal é crime exumar cadáveres sem autorização. Porém, isso não diminui o filme de maneira alguma.

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Vale falar que não só Mortensen está excelente, como todo elenco. Os jovens e crianças do elenco são sensacionais, não tem como não simpatizar e Frank Langella fazendo o avô, no início cheguei a achar que seria tipo um vilão caricatural contra o modo de vida do Capitão e seus filhos, mas no decorrer não é assim. Capitão Fantástico é drama, ao mesmo tempo diverte e tem até um belo número musical com pai e filhos cantando “Sweet Child O’ Mine” dos Guns N’ Roses. Melhor que qualquer um de La La Land.

 

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