Oscar 2017- Review – Fences – Um Limite Entre Nós

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Fences

Direção: Denzel Washington

Elenco: Denzel Washington, Viola Davis, Stephen Henderson, Jovan Adepo, Mykelti Williamson, Russell Hornsby, Saniyya Sidney.

Fences, que em mais uma ideia genial dos tradutores brasileiros recebeu o título de “Um Limite Entre Nós” invés de simplesmente “Cercas”, está indicado aos Oscar de filme, ator, atriz coadjuvante e roteiro adaptado. O longa é a terceira incursão de Denzel Washington na direção de um filme, adaptando uma peça que ele e Viola Davis já protagonizaram no teatro. O roteiro é do próprio autor da peça, August Wilson, falecido em 2005.

O resultado não é um filme ruim, mas há vários problemas. Denzel fez basicamente teatro filmado, essa é a sensação quando você assiste ao filme, é como se apenas filmasse a peça, não consegue alcançar um resultado do trabalho de adaptação como o de Moonlight, por exemplo, outro indicado a Oscar baseado em uma peça, nem consegue uma experiência interessante como Dogville.

Denzel interpreta Troy Maxson, um homem desgostoso da vida por não ter se tornado um jogador profissional de basebol, acabou se tornando lixeiro, casado com Rose (Viola), ele cria o filho Cory (Adepo) de forma rígida tal qual foi criado. Ainda divide o tempo bebendo e ouvindo conselhos do amigo e colega de trabalho Bono (Henderson), lidando com o filho do primeiro casamento, Lyons (Hornsby), que ele pouco participou da criação e o irmão Gabriel (Williamson), veterano de guerra que ficou com danos mentais após ser ferido em combate. Ele também está sempre falando em construir a cerca de casa, que a esposa quer, essa cerca, óbvio, é a metáfora para construir o relacionamento dos personagens.

Troy é o típico pai de família, criado de forma machista, é o provedor do lar, ao mesmo tempo que diz amar a esposa a trai com outra, mas diz que a família está em primeiro lugar, pois não deixa faltar nada em casa. Os diálogos de Troy com a família também contribuem para que o filme construa o quadro social e segregacionista que os negros vivem nos Estados Unidos como pano de fundo.

Os diálogos em geral são bons, é um ótimo texto e as excelentes interpretações são o ponto forte do filme, mas algumas cenas longas demais tornam as duas horas e dezenove minutos do longa arrastadas. O filme precisava de cortes mais ágeis em vários momentos. A estrutura de teatro com poucos personagens nos mesmos cenários já funcionou em diversos filmes, mas a direção e montagem precisam ser mais dinâmicas ou aquilo de sai fulano do cenário, entra fulano, acaba cansando, afinal teatro e cinema são diferentes.

Nas interpretações Denzel Washington e todo o elenco estão muito bem, ele constrói perfeitamente Troy, como um homem frustrado, que não consegue perceber como suas ações podem levá-lo a perder aqueles que ama. Viola Davis também demonstra domínio de sua personagem, não por acaso ela está ganhando tudo quanto é prêmio de melhor atriz coadjuvante e só se der uma zebra incrível ela não leva o Oscar. Das concorrentes apenas Michelle Williams e Naomie Harris têm cenas de tanto peso quanto Viola aqui, embora Octavia Spence e Nicole Kidman também estejam bem nos seus filmes. Viola, na verdade deveria está indicada a atriz, mas como provavelmente querem premiar Emma Stone, vão dá o de coadjuvante para Viola. Coisas do Oscar.

Viola Davis compõe bem Rose, esposa devotada que de repente ver seu mundo ruir, tanto nas cenas mais contidas quanto nas cenas de maior explosão emocional. Esse deve ser o Oscar que Fences irá levar, embora Denzel também não deva ser descartado das apostas.

 

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Dre Tinoco

Geográfo, viaja tanto que quase não tem tempo para escrever nessa josta. Mas, sempre dá um jeito de ver as postagens com a Natalie Portman

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