Cinema no Aconchego do Lar: Alexandria

Espalhe!

Alexandria

(Ágora)

Diretor: Alejandro Amenábar

Elenco: Rachel Weisz, Max Minghella, Oscar Isaac e Rupert Evans

Alejandro Amenábar, diretor chileno, responsável pelos excelentes Abra Os Olhos, Os Outros e Mar Adentro, não decepciona mais uma vez, em um filme que, infelizmente, não recebeu toda a atenção que merecia.
No final do século IV, d.C. Hypatia (Rachel Weiz) é filosofa e professora na cidade de Alexandria, no Egito.  Admirada, respeitada e amada por seus discípulos, ela leciona na enorme e riquíssima biblioteca da cidade, praticamente o centro de conhecimento da época.  Contudo, no lado de fora da biblioteca, a cidade está mergulhada em um conflito religioso. Agora livres pra exercer a sua fé, os cristãos se dedicam a perseguir os chamados “pagãos”.
Em meio à tensão politico-religiosa e à violência que acomete a cidade, Hypatia se divide em duas  preocupações, manter  a disputa longe de seus alunos (que englobam pagãos e cristãos) e o movimento dos astros. Hypatia é apaixonada por astrologia e se dedica a entender o funcionamento da órbita terrestre.
Rachel Weiz é fantástica em dar vida a Hypatia, uma mulher forte, ativa,  à frente de seu tempo, que não deseja se casar e não teme expressar suas opiniões, mesmo sabendo o quanto suas idéias podem ser perigosas. Destaque ainda para Max Minghella, que vive Davus, escravo de Hypatia, jovem que acaba dividido entre o amor que  nutre por sua senhora e o Cristianismo, que ele adota mais por afronta e desprezo pelos deuses pagãos do que por realmente crer na nova religião. No elenco ainda, Oscar Isaac, que interpreta Orestes, ousado discípulo de Hypatia, apaixonado por esta.
Através dessa trama, o filme levanta três importantes discussões. Primeiramente, o modo como a religião é transformada em ferramenta de poder, usada para oprimir e dominar. Se o Cristianismo pregava amor e perdão, os cristãos, outrora perseguidos, só espalham o ódio, perseguem quem não segue a sua fé, na verdade, em busca de supremacia. Vemos seus lideres, usando a religião pra calar seus inimigos políticos Por outro lado, vemos políticos se convertendo apenas porque o Cristianismo se tornou a religião oficial, para assim, manter sua posição.
Em segundo lugar, o papel da mulher nesta sociedade. A posição de  proficiência ocupada por Hypatia é uma verdadeira afronta aos cristãos, que julgavam que nenhuma mulher merecia ser ouvida ou exercer qualquer influencia sobre nenhum homem e menos ainda ensiná-los.
Por fim, há o conflito entre religião e conhecimento. Para os religiosos, o simples ato de questionar a ordem das coisas, o movimento dos astros, significava negar a Deus. Além disso, métodos científicos, desconhecidos por eles,eram vistos como bruxaria, sendo passível de punições.
Com cenários grandiosos e bela reconstituição de época, Alexandria é um filme com história envolvente, atuações excepcionais e ótimos diálogos, mas também é um filme que instiga à reflexão e nos faz pensar sobre as questões levantadas, ainda muito atuais.

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