Review – Aniquilação

Espalhe!

(Annihilation)
Direção: Alex Garland
Elenco: Natalie Portman , Jennifer Jason Leigh , Tessa Thompson , Oscar Isaac , Gina Rodriguez , Tuva Novotny
EUA, 2018

 

Novo longa de Alex Garland, do ótimo Ex-Machina, Aniquilação, adaptação do livro de Jeff Vandermeer, foi lançado no mercado internacional via Netflix. Seus produtores acharam a obra muito “cerebral” e chegaram a conclusão de que ela iria flopar nas bilheterias já que o público de hoje só quer ver filminho de herói e carros furiosos.


A protagonista da história é Lena (Natalie Portman). Bióloga e ex-militar, ela sofre com o desaparecimento do maridão (Oscar Isaac). Também soldado, Kane (Alien, alguém?) sumiu em uma misteriosa missão secreta para o governo. Eis que um tempão depois ele retorna para casa, comportando-se de modo estranho. Logo o governo aparece e ambos são levados a uma região onde estão investigando a Área X. Uma espécie de bolha multicolorida alienígena segue expandindo em uma floresta e o marido de Lena foi o único que conseguiu sair de lá. Decidida a descobrir o que aconteceu com Kane, Lena se junta a uma expedição com mais quatro mulheres para explorar a área misteriosa.


Talvez por ter uma mulher como protagonista, uma galera nas redes sociais tem comparado, de forma pejorativa até, o longa de Garland com A Chegada dos Dennis Villeneuve. Embora o filme de Garland tenha sua carga emocional/cerebral, ele é mais voltado para o horror cósmico. Mais que isso, Aniquilação tem uma urgência oitentista. Urgência oitentista que fica evidente em seus efeitos especiais, que até tem causado estranhamento em alguns espectadores que, erroneamente, classificam como mal-acabados.

A área denominada “Brilho” é visivelmente inspirada nas preciosidades daquela época. Aniquilação tem um quê de A Bolha Assassina (que teve um remake nos 80), Força Sinistra, Invasores de Corpos e até Caça-Fantasmas e O Predador. Claro, não poderia faltar O Enigma de Outro Mundo. A cena em que Natalie e suas companheiras estão amarradas em cadeiras diante de uma ameaça assustadora é flagrante, mas, quando os sintetizadores tomam a trilha sonora de Geoff Barrow e Ben Salisbury, um clima de aflição passa a permear todo o filme e fica aquela sensação de que estamos vendo uma versão do clássico de Carpenter com elenco feminino. Embora nunca atinja o nível de tensão de Enigma de Outro Mundo, Aniquilação envolve com seu horror cósmico até o impactante final.


Natalie Portman tem aqui uma de suas melhores atuações e lidera um ótimo elenco, com destaque para as atuações de Isaac, Jennifer Jason Leigh e Tessa Thompson (enquanto a primeira faz o que sabe fazer melhor num tipo de papel ao qual está habituada, a segunda entrega uma boa performance em papel bem diferente do que vimos recentemente em Thor Ragnarok ou Westworld).

Talvez Aniquilação não agrade muitos por tratar de temas complexos como auto-destruição e evolução e ao mesmo tempo ter esse pezinho no horror, mas sem dúvida é um grande filme que tende a crescer mais em futuras revisões. Com um desfecho inquietante, ele jamais desaparece da memória minutos depois de seu término.

 

Outro filme que Aniquilação me trouxe a memória durante a sua exibição foi o esquecido Enigma do Espaço (The Astronaut’s Wife, 1999), com Johnny Depp e Charlize Theron, mas esse é bem ruinzinho. Pode continuar esquecido.

 

 

SPOILER

Alguém mais se lembrou da cena de A Lenda (1983) em que Mia Sara dança com uma espécie de sombra quando a personagem de Natalie começa a “dançar” com o alienígena? Não, né? Talvez eu esteja vendo muitas referências…


Espalhe!

Marc Tinoco

Um cara igual aquela série. Cheio de referências.