Review – Apenas um Garoto em Nova York

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The Only Living Boy in New York

Direção: Marc Webb

Elenco: Callum Turner, Jeff Bridges, Kate Beckinsale, Pierce Brosnan, Cynthia Nixon, Kiersey Clemons, Tate Donovan, Bill Camp. 

E.U.A. 2017 

Em cartaz nos cinemas brasileiros a partir dessa quinta-feira, “Apenas um Garoto em Nova York” é o novo filme do diretor Marc Webb, que virou queridinho de vários cinéfilos após fazer  a comédia romântica indie “500 Dias Com Ela”, e depois foi odiado por boa parte do público ao fazer “O Espetacular Homem Aranha” I e II, (o melhor Homem Aranha, Haters gonna hate ) principalmente por aqueles que ainda sonhavam com um “Homem Aranha 4” de Sam Raimi e com Tobey Maguire.

Com “Apenas um Garoto em Nova York” Webb volta a falar de relacionamentos e de amor, ainda que esse filme não seja propriamente uma comédia romântica. É na verdade um drama sobre família e  jornada de crescimento, embora com humor embutido.

A trama da película é a seguinte:  Thomas Webb (Callum Turner) é um jovem recém formado vivendo em Nova Iorque. No passado ele quis ser escritor, mas hoje está sem saber qual será o rumo da sua vida. Ele passa o tempo lidando com a falta de apoio do seu pai (Pierce Brosnan) um editor famoso e os problemas emocionais da sua mãe (Cynthia Nixon), agravados pela relação com o marido. Além disso, parece está apaixonado pela melhor amiga (Kiersey Clemons).

Tudo muda quando ele descobre que o pai  está tendo um caso com uma bela e sedutora mulher (Kate Beckinsale). Thomas tem medo que o caso vindo a tona piore ainda mais as condições de saúde da sua mãe. Assim, ele quer acabar com esse relacionamento e começa a praticamente stalkear Johanna, a amante do pai, tentando falar com ela que saia da vida de seu pai.

A coisa complica quando Thomas também se envolve com Johanna, a história acabará modificando sua vida para sempre. Um outro personagem importante na trama é o vizinho excêntrico de Thomas. interpretado por Jeff Bridges, ele atua como um guru para o jovem e parece muito preocupado com os rumos da vida de Thomas. O detalhe do sobrenome Webb pode indicar um pouco de autobiografia no filme.

Todos os personagens têm psicológico complicado, suas motivações vão ser entendidas pelo público aos poucos. Inclusive o porquê de Thomas se envolver com a amante do pai. O personagem que me pareceu mais difícil de entender foi Johanna. Não fica nítido (ao menos para mim) porque ela se envolve com o filho, depois de está com o pai. Varias interpretações são possíveis, mas a indefinição se deve ao fato de Johanna não passar um ar de quem fez isso por esporte ou diversão, ao mesmo tempo não se mostra indecisa na hora de definir seu caminho.

Thomas lembra em alguns aspectos Benjamin, personagem de Dustin Hoffman em The Graduate (ou A Primeira Noite de um Homem), jovem recém graduado que não sabe o que fará da vida e se envolve com uma mulher mais velha (não parece, mas Beckinsale já tem 44 anos) se colocando numa situação complicada. Além disso, “Apenas um Garoto em Nova York” traz vários elementos comuns de comédias românticas indie, que Webb já trazia em seu primeiro longa; o protagonista que não segue o padrão de beleza corriqueiro de Hollywood e que sofre por uma mulher, uma garota que tem um estilo alternativo e há a trilha sonora alternativa. A música entra como parte do enredo, como na citação a “Visions Of Johanna” de Bob Dylan.

O melhor do filme é de fato, o elenco, que Webb dirige bem.  Callum Turner se destaca e se sai bem no papel de protagonista e atuando com Bridges e todo o elenco experiente. Kate Beckinsale está hipnotizante e chama atenção também a linda  Kiersey Clemons, que esteve recentemente no dispensável “Além da Morte” e seria Iris West no filme da Liga da Justiça, mas foi cortada da versão final, deve aparecer na versão do diretor que estão pedindo. O filme seria ainda melhor se fugisse dos clichês meio novela, a premissa já é assim, mulher que fica com pai e filho já deve ter tido em várias, e no final temos acontecimentos que também lembram uma. Lógico que muito melhor interpretada e com narrativa de cinema. Vale uma sessão.


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Dre Tinoco

Geográfo, viaja tanto que quase não tem tempo para escrever nessa josta. Mas, sempre dá um jeito de ver as postagens com a Natalie Portman