REVIEW: BEASTS OF NO NATION

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Beasts Of No Nation
Direção: Cary Joji Fukunaga
Elenco: Abraham Attah, Idris Elba, Kobina Amissah-Sam, Ama K. Abebrese, Francis Weddey, Emmanuel Nii Adom Quaye, Annointed Wesseh, Kurt Egyiawan, Teibu Owusu Achcampong
EUA, 2015

Assisti ao primeiro longa-metragem da Netflix a cerca de duas semanas atrás, mas só agora encontrei tempo para escrever sobre ele.

O filme acompanha o pequeno Agu (Abraham Attah), que vive com seus pais e irmão em um pais africano, que passa por uma guerra civil. Inicialmente, somos apresentados ao cotidiano do menino com sua família e amigos. Apesar das dificuldades financeiras trazida pela guerra, nota-se que trata-se de uma família bastante unida. Contudo, a frágil tranquilidade logo é quebrada, em meio ao conflito entre militares e rebeldes. Agu acaba sendo capturado por membros do grupo rebelde, liderados pelo comandante (Idris Elba, que também produz o filme), sendo treinado para ser soldado, assim como outras crianças e adolescentes.

Roteirizado e dirigido por Cary Joji Fukunaga (da primeira temporada de True Detective), a partir do livro do nigeriano Uzodinma Iweala, Beasts of No Nation não tem nenhuma preocupação em explicar do que se trata a guerra que retrata e as ideologias envolvidas, e essa escolha torna o filme mais universal. É a história de uma criança que se vê longe da família, em um mundo perigoso e violento. Agu poderia estar em qualquer parte o mundo. O filme mostra então a jornada do menino, deixando de ser menino e se transformando em uma figura brutal e, ao mesmo tempo, anestesiada diante das atrocidades ao seu redor.

Outro ponto chave são as atuações do estreante Attah e de Elba. O menino é perfeito em todas as nuances e transformações do personagem, da criança inteligente e falante do inicio até o matador entorpecido, embora, mesmo assim, em sua relação com os outros soldados-mirim, por vezes, o garoto brincalhão venha à tona. Já Idris Elba, com seu carisma habitual, compõe seu comandante, um homem que usa a força de sua presença para doutrinar e dominar seus soldados em todos os níveis, criando uma espécie de família bizarra, em que ele é o pai e os soldados são os filhos, desesperados por agradá-lo ou mesmo morrer por ele. Mesmo exercendo essa liderança, em certo momento, também nos deparamos com a insignificância do Comandante nas disputas de poder durante a guerra, quando precisa esperar por horas para conseguir falar com um de seus superiores.

Com crueza e precisão, mas sem jamais soar apelativo, Beasts Of No Nation revela uma trajetória de brutalidade que dá fim a infância de muitas crianças como Abu, espalhadas ao redor do mundo.

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Dri Tinoco

Formada em Letras, apaixonada por Literatura e viciada em Cultura Pop. Tornou-se irremediavelmente fã de Jaspion aos 3 anos. Quando criança (e ainda hoje) preferia os filmes do Schwarzenegger a qualquer desenho da Disney e acha que o Viggo Mortensen também é lindo sem a caracterização de Aragorn
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