REVIEW: DEMOLIDOR (2ª TEMPORADA)

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Demolidor
Daredevil
Direção: Vários
Elenco: Charlie Cox, Jon Bernthal, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Élodie Yung, Vincent D’Onofrio , Rosario Dawnson, Scott Glenn, Michelle Hurd, Clancy Brown, Peter Shinkoda e Carrie Anne Moss.
EUA, 2016

demolidor netflix

Em março chegou na Netflix a segunda temporada de Demolidor, co-produção do canal de streaming com a Marvel (leia a critica da 1ª temporada). Maratona devidamente concluída, vim deixar aqui as minhas impressões. Primeiro, devo dizer que achei menos empolgante que a primeira, com algumas “barrigas”mas, mesmo assim, muito boa.

Tem spoillers, ó incauto

Uma das coisas que mais gosto na série do Demolidor e que me fez falta na série da Jéssica Jones, é que na série do audacioso são muitos acontecimentos e tramas se desenvolvendo ao mesmo tempo, o que garante a atenção do espectador e lhe deixa na expectativa do que acontecerá na próxima temporada.

Nessa temporada, Matt Murdock/ Demolidor tem que lidar com o Justiceiro e a ex-namorada Elektra. Interpretado de forma intensa por Charlie Cox, o herói está cheio de conflitos internos, maximizados pelos encontros com esses dois novos personagens, além de mostrar outra faceta, que quem lê as HQs já conhece bem: o cara que deixa os amigos na mão. Que o diga Foggy Nelson (Elden Henson).

Estava lendo algumas opiniões sobre essa segunda temporada e vi algumas pessoas dizendo que o Foggy estava ficando chato, só reclamava. Injustiça. Foggy é o melhor amigo de Matthew, que sempre o apoia, mesmo ficando extremamente preocupado com as escolhas perigosas que este faz, inclusive ajudando a esconder sua identidade secreta. Mas, como você se sentiria se tivesse que administrar sozinho um negócio que você e seu amigo criaram juntos e você ainda tivesse que resolver situações que essa pessoa iniciou, enquanto ela some sem dar satisfações e mente diversas vezes, mesmo sabendo que você é de confiança? Ficar magoado, um tanto irritado, além de cansado de discutir os mesmos problemas, são reações totalmente plausíveis nessas circunstanciadas.

Na primeira temporada, o único momento que não gostei foi a morte de Ben Urich. Primeiro, porque estava gostando muito da atuação de Vondie Curtis-Hall; segundo, porque o personagem é muito importante nas HQs e desempenha um papel crucial em histórias como A Queda de Murdock. Como eu esperava, o personagem faz falta e para suprir essa falta usaram Karen Page (Deborah Ann Woll), o que é tem seu lado bom e seu lado ruim. É legal ver uma personagem como a Karen, que é forte, decidida e corajosa, sem precisar lutar. Porém, o inicio de sua carreira jornalística é bem forçada. Ela vai até o jornal que Ben trabalhava pedir material para sua pesquisa e em pouco tempo já tem a total confiança do editor e ganha até uma sala para trabalhar. Fora isso, penso que se futuramente adaptarem A Queda de Murdock (o que é provável), Karen deve fazer as vezes de Ben Urich e o Rei do Crime deve descobrir a identidade do Demolidor por outros meios, já que fazer essa Karen da série se afundar nas drogas a ponto de entregar o amigo/ namorado não soaria muito crível. Outra coisa é por vezes a personagem é colocada como uma especie de consciência dos demais, apontando o que é o mais correto a ser feito, o que a deixa uma tanto chata, com ares de “sabe-tudo”. Aliás, começou o romance entre Matthew e Karen, algo que já era esperado, mas, sei lá, acho impressionante como o Charlie Cox e a Deborah Ann Woll tem química com quase todo mundo que contracenam, exceto entre si. Ficou meio insosso, vamos aguardar para ver como isso vai se desenvolver nas próximas temporadas.

Mas, vamos falar dos dois personagens novos na história. Assim como na primeira temporada, acompanhamos a construção do Demolidor e do Rei do Crime, a segunda temporada mostra a formação de Elektra e Justiceiro. Nos primeiros episódios já estranhei um pouco a ninja, interpretada por Élodie Yung. Não era a assassina fria e calada de Elektra Assassina ou Demolidor: Homem Sem Medo, mas uma moça muito confusa, cínica e um tanto mimada. Melhora um pouco nos episódios finais, mostrando seu treinamento, mas ela ainda prossegue soando como uma sidekick do Demolidor. Por fim, ela ser morta acidentalmente por Nobu (Peter Shinkoda), para proteger o Demolidor é baita clichêzão.

Para finalizar, vamos falar do Justiceiro, que roubou a cena em todos os momentos em que apareceu na série. Frank Castle, vivido com propriedade Jon Bernthal, é uma figura torturada pela morte de sua esposa e filhos e também pelas lembranças das guerras por onde passou. Me incomodou o fato do Frank falar mais aqui, contando de seu passado e seus sentimentos em alguns momentos com o Demolidor e com Karen Page (muitos momentoZzzz com Karen Page), enquanto nas HQs o cara é sempre monossilábico. É o mesmo que ocorre com a Jéssica Jones na série, que parece ser muito fechada, mas tenta contar para quantas pessoas diferentes ela falou de Kilgrave e seu trauma? Ou seja, há um excesso de diálogos expositivos para explicar como os personagens se sentem. Fazendo vista grossa a esse ponto, em todo caso, nunca antes Frank Castle havia sido tão aprofundado fora das HQs. Ele não quer apenas vingança, mas também não é retratado como um herói; Castle está em missão contra criminosos em geral e vai usar toda a sua experiência, suas habilidades de soldados nessa guerra urbana, de forma estratégica e friamente planejada. Embora não esteja confirmado oficialmente ainda, mas acredito que podemos aguardar uma série do Justiceiro para breve.

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Formada em Letras, apaixonada por Literatura e viciada em Cultura Pop. Tornou-se irremediavelmente fã de Jaspion aos 3 anos. Quando criança (e ainda hoje) preferia os filmes do Schwarzenegger a qualquer desenho da Disney e acha que o Viggo Mortensen também é lindo sem a caracterização de Aragorn

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