Review- Fragmentado

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Direção: M. Night Shyamalan.

Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula, M. Night Shyamalan.

EUA, 2016

Tem SPOILERS.

M. Night Shyamalan é certamente um dos diretores que mais divide as opiniões dos cinéfilos na atualidade. Com o sucesso de O Sexto Sentido, em 1999, o cara logo foi taxado de gênio. Era “o novo Hitchcock” da galera. Depois de mais alguns sucessos, vieram os primeiros fracassos e para uma parte dessa galera ele logo passou a ser “o enganador”. Depois de um período realizando filmes com os quais ninguém se importa (com exceção dos fãs hardcore, claro), seu mais novo filme, Fragmentado, estreou, e ele voltou a fazer bonito nas bilheterias.

Well, eu não faço parte nem do grupo que ama e muito menos do que odeia o cara. Gosto bastante de O Sexto Sentido e Corpo Fechado. Curto Sinais e A Vila. A Dama na Água é nhé e Fim dos Tempos é muito merda. Ignorei O Último Mestre do Ar porque não conheço e nem me interesso pelo desenho que o inspirou. Não vi Depois da Terra porque não vou com os cornos do filho do Will Smith. A Visita é found footage, e nunca consegui gostar de um filme do tipo (com exceção do Diário dos Mortos do Romero).

Fragmentado foi o primeiro filme de Shyamalan que despertou minha atenção desde aquele desastre estrelado por Mark Wahlberg. Aqui, um inspirado James MacAvoy interpreta Kevin, um cara com 23 personalidades que sequestra três adolescentes em um estacionamento. No cativeiro, elas conhecem os outros eus de Kevin e tentam encontrar um meio de escapar. Promissor.

Well, não espere um mergulho profundo na questão do transtorno do personagem. Shyamalan está interessado apenas em construir aquela conhecida atmosfera de tensão crescente comuns em seus filmes. Isso, ele continua fazendo bonito. Os primeiros minutos são muito bem construídos, assim como os enquadramentos que passam com sucesso o clima claustrofóbico do cativeiro para o espectador. O maior problema em Fragmentado é mesmo o seu ato final furado. Todo mundo espera por um plot twist num filme do Shyamalan. E ele não falha. O plot twist está lá  e é exatamente nele que o filme escorrega, embora o aparecimento da 24ª identidade seja, de fato, interessante. Kevin vira bicho literalmente.

E aí sou tirado do filme no risível momento em que é revelado que a psiquiatra de Kevin deixou escrito em um pedaço de papel (teria ela… alzheimer?) que basta dizer o nome completo dele para escapar da morte certa nas mãos de sua personalidade bestial. Só que ela NÃO o faz quando ele a pega em seu esconderijo. E ela ainda tinha forças para falar quando ele quebra todos os ossos do seu corpo num abraço mortal. Parabéns doutora. Porra, Shya.

Pior que, depois, a personagem interpretada por Anya escapa, e, embora esteja numa fuga desesperada, encontra o pedaço de papel e para pra ler o recadinho, hehehe. Enquanto a perseguição se desenrola, vai ficando também bem claro que Kevin não fará nada com a final girl, devido as informações que tivemos nos flashbacks da infância da menina. Vale ressaltar, um finalzinho meio mequetrefe e duvidoso.

Enfim, o filme vale mesmo pelos momentos inspirados da direção de Shyamalan e, principalmente, pela atuação de James McAvoy. O ator carrega o longa praticamente nas costas, com uma ajudinha da talentosa Anya Taylor-Joy (A Bruxa). Muito longe de um Corpo Fechado, mas bem melhor que um Fim dos Tempos, ainda não é o retorno triunfal de Shyamalan.

O filme também fez muito barulho pela aparição do personagem interpretado por Bruce Willis em Corpo Fechado no finalzinho, denunciando um shyamalanverso e deixando os shyamaletes com lágrimas nos olhos de tanta emoção. Todos agora estão esperando pela continuação em que os dois personagens vão se encontrar.

Será que até mesmo Shyamalan consegue construir um universo de super-heróis melhor do que o da DC? Sim meus caros e minhas caras, é Shyamalan entrando na modinha do universo compartilhado pra voltar a ganhar uma graninha.

 Vamos ver em que fera bicho isso vai dar.

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Marc Tinoco

Um cara igual aquela série. Cheio de referências.

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