Review: Guardiões da Galáxia

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Guardiões da Galáxia

Guardians of the Galaxy

Direção: James Gunn

Elenco: Chris Pratt, Zöe Saldana, Bradley Cooper (voz), Vin Diesel (voz), Dave Bautista, Lee Pace, Michael Rooker, Karen Gillan, Benicio Del Toro, Glenn Close, John C. Reilly, Djimon Hounsou e Josh Brolin (voz)

EUA, 2014

Começo dizendo que nunca li nada dos Guardiões da Galáxia, na verdade, até pouco tempo, nem sabia da existência deles. Assim, não posso dizer nada sobre como os personagens foram adaptados.
Guardiões segue a receita que a Marvel já vem apresentando em seus filmes desde o primeiro Homem de Ferro, ou seja, ação + aventura + humor + romance, sem grandes pretensões. Vejo muita gente criticando o humor nesses filmes, o que é uma grande bobagem, já que o gênero aventura sempre andou junto com a comédia, vide a clássica trilogia Star Wars e muitos outros ótimos filmes do gênero. Desde quando ser divertido é defeito? Seriedade nem sempre é sinônimo de dramaticidade, às vezes, é só pretensão mesmo. Aliás, a falta de pretensão é uma das grandes qualidades dos filmes dos estúdios Marvel, afinal, não adianta pompa se a história não apresenta real profundidade. O melhor é apenas se divertir mesmo. O problema está quando a dosagem dos ingredientes que citei sai errada. Caso de Thor e Homem de Ferro 3, o primeiro com um romance forçado e ambos com cenas cômicas mal-colocadas, sendo que Homem de Ferro 3 era tão exagerado, que parecia mais uma sitcom do que um filme de super-heróis (e nem era uma sitcom engraçada).
Dirigido por James Gunn, de Seres Rastejantes, Guardiões da Galaxia é uma comédia de ação, só que muito superior a Homem de Ferro 3. A diferença está na forma como o humor se encaixa no roteiro, escrito pelo próprio Gunn, juntamente com Nicole Perlman. A comédia entra naturalmente no filme, assim como as (boas) sequencias de ação e até alguns momentos dramáticos. O elenco principal tem timing cômico, o que também ajuda.
Chris Pratt vive o líder do bando, Peter Quill, o Senhor das Estrelas, um malandro ambicioso, mas de bom coração, que rouba relíquias e as vende, sendo clara a inspiração em dois heróis icônicos vividos por Harrison Ford, Han Solo e Indiana Jones. Gamora é a mocinha porradeira e desconfiada, encarnada de maneira convivente por Zöe Saldana. Dave Bautista, lutador e fisiculturista, vive a montanha de músculos Drax e surpreende ao apresentar um personagem emocionalmente frágil e ainda com uma divertida dificuldade de entender metáforas. Dois personagens em CG completam o grupo de protagonistas, Rocket Racoon, vulgo Guaxinin de Trabuco, tem a voz de Bradley Cooper, ele é sacana e badass, sempre acompanhado por Groot, voz de Vin Diesel, uma especie de árvore humanoide que se limita a repetir “I’m Groot”, mas com várias entonações distintas, que indicam suas emoções. Esses dois personagens digitais demostram o esmero dos animadores, dada a riqueza de emoções apresentada por esses personagens, seja os modos gentis e protetores de Groot ou a expressão de dor e desalento de Rocket, em dada parte do filme.
Como já é esperado, a trama não é o ponto alto do filme. Clichêzão, os heróis precisam recuperar um objeto que pode destruir a Galáxia. Lee Pace, da trilogia O Hobbit, vive o vilão megalomaníaco (e burro) Ronan, O Acusador. Um lacaio de Thanos (Josh Brolin) que se volta contra o mesmo e tem como primeiro alvo o Planeta Xadar. Mais clichê ainda é a construção dos ambientes. Ronan vive em uma nave escura, enquanto Xadar tudo é muito claro e todos são bonzinhos.
Fechando o elenco, temos ainda Karen Gillian, como Nebula, irmã revoltada de Gamora; Benicio Del Toro, interpretando o afetadíssimo Colecionador, que pouco aparece nessa primeira aventura, mas deve voltar a dar as caras em um próximo filme; Glenn Close é Nova Prime, líder de Xadar;  John C. Reilly vive um “policial” desse mundo; Michael Rooker é Youndu, lider de um grupo de saqueadores, da qual Quill já fez parte; por fim, Djimon Hounsou vive Korath, um dos homens de Ronan.
Como dá para perceber e como acontece em todos os filmes da Marvel, temos aqui um elenco muito bom. O problema é que, às vezes, esse elenco é bom demais para os papéis oferecidos e acontece desperdícios. Como com a ótima Rebecca Hall vivendo uma personagem totalmente bucha em Homem de Ferrro 3 ou Djimon Hounsou, ator excelente, relegado aqui ao papel insignificante de capanga, quando poderia ser muito melhor aproveitado na pele do Pantera Negra, na adaptação a tanto tempo prometida.
não deu #xatiada
O charme desse grupo está em ser um bando de perdedores. Não importa suas habilidades, não passam de fracassados. E o filme brinca o tempo todo com isso, seja quando os Guardiões se encaminham para uma grande batalha, em slow-motion, com Quill coçando o nariz, Gamora bocejando e Rocket dando aquela coçada na virilha ou quando o Senhor das Estrelas realiza um feito heroico, mas destrói o altruísmo da ação, ao se gabar logo depois. Por isso, o filme acabou me remetendo a Os Goonies, com seus personagens desacreditados, improváveis, ridiculamente atrapalhados, mas que acabam salvando o dia.
Por falar nisso, não faltam referencias oitentistas. Quill, abduzido da Terra quando ainda era criança, guarda fascínio pela década, citando filmes e sempre carregando um antigo walkman, com uma fita de sucessos dos anos 80. Aliás, a trilha sonora é deliciosa. As músicas orquestradas, foram compostas por Tyler Bates, mesmo de Watchmen, Sucker Punch e 300, todos do diretor Zack Snyder, todos com boas trilhas. Para completar, sucessos de David Bowie, The Runnaways, Jackson 5 e muitos outros, que casam perfeitamente com o clima divertido do filme. (ouça aqui)
Ah, tem cena pós-créditos.


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Formada em Letras, apaixonada por Literatura e viciada em Cultura Pop. Tornou-se irremediavelmente fã de Jaspion aos 3 anos. Quando criança (e ainda hoje) preferia os filmes do Schwarzenegger a qualquer desenho da Disney e acha que o Viggo Mortensen também é lindo sem a caracterização de Aragorn
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