Review – Hiemis: Volume Completo

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Hiemis: Volume Completo

Livro Um: Os Cavaleiros  do Inverno
Livro Dois: Os Servos  do Duque
Livro Três: O Senhor dos Sonhos
Livro Quatro: Os Votos da Princesa
Autora: Cecília Reis

Recebi gentilmente da escritora e ilustradora Cecília Reis, sua primeira saga: Hiemis. Dividida em quatro volumes, fortemente inspirados pelo universo fantástico dos RPGs, a história é uma fantasia sobre realidades paralelas e demônios, que serve de metáfora para discutir autoestima e identidade.

Na trama, Anelise é uma adolescente que ficou sozinha em sua casa, enquanto mãe viajava à trabalho. De inicio, a menina curte passar um tempo só, mas a falta de qualquer contato da mãe e a demora desta em retornar para casa, começa a deixá-la inquieta.

De uma rotina de adolescente comum, de escola-casa-videogame, Anelise é atirada em um mundo de magias e  perigos, quando um homem misterioso bate em sua porta. O Duque Daniel traz a notícia que a mãe de Anelice está morta. Mas, não apenas isso: Anelice, após a morte da princesa Aliannama’ra, da Corte do Inverno, é uma das candidatas a ocupar o trono e ele está ali para garantir sua segurança.

Outros demônios se juntam ao Duque, na suposta missão de proteger a adolescente:  Azazel e Belial, os demônios gêmeos brincalhões, que já foram um único ser; Samael, o mestre que deve ensiná-la sobre a magia; Leviatan, um incubus, raça condenada a servir nobres, e  Sindri, o general.

Sindri e Ane (creio eu, rs) em ilustração de Cecília Reis

Lendo o primeiro livro, confesso que não me empolguei, pois me pareceu que seria mais uma história de “escolhido(a)” que precisa provar seu valor e salvar o dia, enfim, um clichêzão, mas me permiti continuar se ser agradavelmente surpreendida pelo desenvolvimento da história.

A saga acaba sendo uma história de crescimento pessoal, acompanhando o amadurecimento da protagonista, muito mais do que “se tornar a mais poderosa e derrotar vilões”. De início, Anelice assiste a sua vida tomar rumos que ela nunca imaginara, enquanto outros tomam decisões por ela.

Quando estava lendo um pouco sobre a história, vi um leitor criticar a saga, pois segundo ele a autora não se decidia se Anelice era uma criança, uma adolescente ou uma jovem. Acredito que essa era justamente a intensão, pois podemos ver nitidamente, ao longo dos volumes, as mudanças na personagem, tal qual ocorre com todos nós, nas fases da vida.

Em um primeiro momento, Ane não entende nada do que está acontecendo a sua volta e só deseja ser confortada; mais adiante, ela insiste em obter respostas; em seguida, ao se deparar com as intrigas e tramoias dos demônios, ela passa a se rebelar e querer tomar as rédeas de sua vida. Nesse momento, no entanto, ela toma uma série de decisões precipitadas e equivocadas. Quem nunca, não é mesmo?

A rebeldia juvenil de Ane se choca contra esse universo fantástico, caracterizado por uma grande estratificação social, em que os demônios são divididos em cortes e criados para um fim especifico, seja ele o conhecimento, o prazer ou a guerra.

Assim como qualquer um de nós (só que em meio a magia e demônios, o que deixa tudo mais divertido), Ane vai aprender algumas lições: como as suas decisões tem consequências sobre os outros e que, às vezes, as verdades mais duras saem da boca dos seus amigos verdadeiros, enquanto que nem sempre quem é gentil com você está do seu lado.

A partir da relação de Ane com os demônios que a cercam, também percebemos seu amadurecimento sentimental/sexual. Aliás, desses relacionamentos, há outro aprendizado: o amor embora tenha sua importância, dificilmente será a principal motivação para que alguém faça algo, outros anseios e responsabilidades podem suplantar o sentimento, especialmente em situações extremas.

Os demônios são, com certeza, alguns dos personagens mais ricos da saga, principalmente porque a autora tomou a sábia decisão de não criar vilões. Os personagem se unem ou se voltam contra a protagonista por suas próprias razões, não por simples maldade ou bondade.  Vale ainda destacar a habilidade de Cecília em utilizar uma linguagem simples, mas sem deixar de lado descrições detalhadas de um mundo majestoso.

Para conhecer melhor  o trabalho de Cecília Reis:

SiteFacebook/ Twitter/ Amazon


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Dri Tinoco

Formada em Letras, apaixonada por Literatura e viciada em Cultura Pop. Tornou-se irremediavelmente fã de Jaspion aos 3 anos. Quando criança (e ainda hoje) preferia os filmes do Schwarzenegger a qualquer desenho da Disney e acha que o Viggo Mortensen também é lindo sem a caracterização de Aragorn

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