Review II – Quarteto Fantástico

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(Fantastic Four)

Direção: Josh Trank.

 Elenco: Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan, Jamie Bell, Toby Kebbell, Reg E. Cathey, Tim Blake Nelson, Dan Castellaneta.

EUA, 2015

CLARO QUE TEM SPOILERS
O Marc já fez aqui sua resenha sobre o novo filme do Quarteto Fantástico, mas como esse é um filme que gerou muito bafafá e todo mundo quer dar seu pitaco, “eu também resolvi dar uma queixadinha, porque sou rapaz Latino-Americano que também sabe se lamentar“, então resolvi fazer um review para discorrer sobre o que achei.
Bem, o filme de 1994, com produção do Roger Corman, continua sendo a melhor adaptação do quarteto para a telona, hahaha. Ao menos eles eram de fato o Quarteto na bagaça. Depois vieram as pataquadas dos filmes do Tim Story, que só valem pela Jéssica Alba (não que ela fosse a Sue Storm perfeita, vocês me entendem) e agora essa nova produção que tenta modernizar a parada e colocar como uma obra de ficção cientifica com ação seguindo um clima meio X-men do Bryan Singer, meio Batman do Nolan, mas fica só na tentativa.
O começo do filme é até promissor com essa coisa de viagem a outros mundos, a busca do conhecimento de outras dimensões. Embora algumas coisas já incomodam, como a maneira forçada que Sue (Kate Mara) acaba “sugerindo” o nome “Dr. Destino” para Victor von Doom (Toby Kebbell), quando este ainda não era o tal.
As mudanças da história não estavam me incomodando. Não preciso conta-la toda aqui, você já deve saber, porque basicamente é a mesma dos filmes anteriores que não deixa de ser próxima dos quadrinhos: o projeto cientifico, o acidente com exposição aos raios cósmicos e ganham poderes. Lógico que há sempre as alterações, por exemplo, assim como no filme de 2005 colocam o Dr. Destino junto com eles no bendito acidente, coisa que o filme do Roger Corman foi o único que não fez isso. Os roteiristas desses filmes parecem não saber trabalhar com um vilão inteligente que mexe com tecnologia e magia e preferem dar poderes genéricos para ele. A questão de Sue e Johnny (Michael B. Jordan) serem irmãos adotivos também não incomoda; a mudança de etnia, numa das poucas vezes que o personagem que virou negro não é bandido nem secundário do secundário, sem problema. Os problemas acontecem quando vem o acidente.
Para começar Ben Grimm (Jamie Bell), que irá se tornar o Coisa não fazia parte do projeto. Diferente do material original em que ele era o piloto, aqui ele passava os dias fazendo não sei o que e Reed Richards (Miles Teller) o chama somente na hora da viagem que termina com o acidente, ou seja, só o chamou para ferrar com o cara. Quando partem, você percebe que Sue não foi na viagem e se pergunta: “Eles vão dar uma passada e voltar depois?” É quando acontece o acidente e quando retornam pelo portal Sue os recebe e ela é atingida por algo que a tornará invisível, não sei como outras pessoas que foram ao local depois também não sofreram efeitos e aí você pensa “Essa mudança era realmente necessária?”
A partir daí acaba qualquer possibilidade de ser um filme interessante e vira um filme de quadrinhos genérico qualquer. Para piorar não conseguimos ver o Quarteto Fantástico ali. Ao invés de se focar no grupo tentando dominar os poderes e se aproximando mais formando uma equipe, mostra os jovens presos pelo governo que quer usar seus poderes, é quando Reed consegue fugir sozinho na maior moleza, quase pelado e desorientado de uma área militar super protegida e de paradeiro desconhecido no meio do gelo. Pior, foge para nada, o filme dá um salto de um ano, para simplesmente o governo que tem CIA, FBI, mas não conseguia encontrar o borrachudo, através da Sue que é boa em reconhecer padrões das pessoas (???), encontrarem Reed e ele se reunir aos outros na reconstrução do portal para voltarem a outra dimensão de onde trarão de volta Doom, agora já transformado em vilão megalomaníaco e sem motivação. O Dr. Destino acorda, mata várias pessoas e abre um portal para sugar tudo e todos na Terra e proteger o seu novo mundo. O Quarteto vai em seu encalço em uma batalha sem graça em que só no último minuto trabalham como equipe e acabou o filme.
Dr, Destino? É você mesmo?
 
Assim, não há interação suficiente entre os membros. Os fletes de Reed e Sue são muito fracos, não dá para afirmar que serão aquele casal que foram nos quadrinhos. Os irmãos Sue e Johnny mal aparecem juntos e a amizade de Reed com Ben também é mal utilizada, um conflitozinho quando o Sr. Fantástico fugiu após o acidente e só. Alguém poderia dizer: “Ah, mas o filme mostrava o início, o quarteto se formando”, isso não é desculpa, Batman Begins, que parece ser uma inspiração, também ficava um tempão mostrando a preparação, mas você já via o Batman ali. Quarteto Fantástico é só uma reunião de personagens rasos.
Sobre a produção, os efeitos não são nada demais. O elenco, que é melhor do que os dos filmes anteriores, está visivelmente desconfortável, principalmente na segunda metade do filme, que não havia mais roteiro. Eles ficam aquém do que apresentam em outras produções. O ótimo Miles Teller, de Whiplash, tenta passar credibilidade como Richards e consegue na primeira metade, mas depois com aquele texto ficava difícil. O diretor Josh Trank teve vários problemas na produção, cenas tiveram de serem refeitas, mas isso não deve servir de desculpas para várias falhas. Ele conseguiu notoriedade após fazer Poder Sem Limites, que também era sobre jovens com poderes, mas que para quem viu Akira não era novidade, só que seguia o esquema A Bruxa de Blair de câmera. Agora ele vai precisar urgente de um sucesso para salvar a carreira.
Enfim, ah, se o Quarteto Fantástico voltasse para a Marvel, ah, se voltasse pra lá. É o que espero, insistir em uma continuação e em encontros com os X-men será absurdo e outro reboot pela Fox ninguém mais aguenta.
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Dre Tinoco

Geográfo, viaja tanto que quase não tem tempo para escrever nessa josta. Mas, sempre dá um jeito de ver as postagens com a Natalie Portman

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