Review – Me Chame Pelo Seu Nome

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Me Chame Pelo Seu Nome

Call Me By Your Name

Direção: Luca Guadagnino

Elenco: Timothée Chalamet, Armie Hammer, Michael Stuhlbarg, Amira Casar e Esther Garrel

EUA, Itália, França – 2017

 

Baseado no romance de Andre Aciman, Me Chame Pelo Seu Nome recebeu quatro indicações ao Oscar 2018: Melhor Filme, Melhor Ator, para o jovem Timothée Chalamet, Melhor roteiro adaptado para o trabalho do   veterano cineasta e roteirista veterano James Ivory (que já foi indicado ao Oscar três outras vezes por Uma Janela para o Amor, Retorno a Howards End e Vestígios do Dia). O filme do italiano  Luca Guadagnino é uma história de descobertas.

A trama acompanha Elio (Timothée Chalamet), um rapaz de 17 anos, passando o verão de 1983 ao lado dos pais em Crema, na Itália. O pai, vivido por Michael Stuhlbarg (que também está em A Forma da Água), professor de arqueologia, convida o ex-aluno Oliver, papel de Armie Hammer, para passar algum tempo em sua casa e ajudar em uma pesquisa.

Uma das principais qualidades de Me Chame Pelo Seu Nome é delicadeza e com que, a medida com que Elio e Oliver vão se envolvendo, vai se revelando as nuances de seus protagonistas e como eles se completam.  Oliver é uma figura eloquente e intensa, que jamais passaria desapercebido em qualquer situação que fosse. Um contraste e tanto com Elio, um rapaz franzino, não exatamente tímido, mas introspectivo, que parece preferir os livros e a música, do que de fato interagir socialmente, embora tenha amigos e uma namorada.

Mais do que uma história de primeiro amor e descoberta da sexualidade, o filme é uma história de autodescoberta, não apenas para o adolescente, mas também para homem, pois, por razões diferentes, ambos não sabem como lidar com atração que sentem um pelo outro.

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Chalamet interpreta com naturalidade a figura do jovem hesitante, tentado entender seus desejos. O motivo de sua hesitação é o medo de expor seus sentimentos e ser rejeitado. Tanto que sua postura muda consideravelmente quando está com Marzia (Esther Garrel, irmão de Louis Garrel), isso porque, embora goste da companhia da jovem e também a deseje, não há a mesma conexão emocional/intelectual que ele compartilha com Oliver, logo não há razão para se sentir inseguro, como que se uma palavra dita na hora errada pudesse afastar o outro de sua vida, para sempre.

Hammer, que não foi lembrado no Oscar, compõe seu personagem de maneira sutil. Por um lado, Oliver é, como eu disse, um tipo expansivo, mas em alguns momentos se mostra tão hesitante quanto Elio. Em uma cena parece querer atrair a atenção do garoto, como, por exemplo, oferecendo uma massagem nos ombros, mas em outros parece evitar até mesmo encontrar o outro.  Passeando por algumas resenhas na internet, vi até algumas pessoas classificando o personagem como manipulador.  Mas, não acho que se possa simplificá-lo desta forma.

A hesitação de Oliver não vem do medo de ser rejeitado, mas ao contrário de ser correspondido. Ele teme o que as pessoas pensarão se descobrirem este romance. Elio não tem motivos para esta preocupação, já que seus pais logo percebem que a relação entre ele e Oliver vai além da amizade e, não apenas não são contra, como o incentivam a se expressar e tratam Oliver como membro da família.

Mesmo que, como ainda é hoje, nos anos 80 não ser heterossexual não fosse algo fácil, ele já encontra apoio em casa, o que é uma ajuda enorme para encarar os preconceitos da sociedade. Oliver, no entanto, como fica implícito em alguns diálogos não vem de uma família tão compreensiva. Assim, é natural que ele queira evitar qualquer comportamento considerado fora da normalidade. Por isso, não acredito que o personagem estivesse brincando com os sentimentos do adolescente, mas realmente lutando para não ceder ao desejo.

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Daí a beleza da sequencia em que o título do filme aparece, quando Oliver diz que chamará Elio por seu nome e pede que o garoto faça o mesmo. Isso porque suas diferenças  os unem e completam. E, no final das contas, é o que importa, mesmo que não dure para sempre e venha acompanhado de uma certa dose de sofrimento. Como o pai de Elio explica ao filho, este tipo de conexão é algo único e belo, que vale a pena, mesmo que apenas pela lembrança de ter experimentado

Vale destacar ainda, a direção de Luca Guadagnino, que consegue contar esta história de amor com partes iguais de delicadeza e sensualidade. Também a belíssima fotografia do tailandês Sayombhu Mukdeeprom, de cores intensas, que reforçam a beleza e o ar bucólico das paisagens italianas, o cenário perfeito par um romance de verão.

 

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