Review: O Diabo Mora Aqui

Espalhe!

O Diabo Mora Aqui
Direção: Rodrigo Gasparini, Dante Vescio
Elenco: Mariana Cortines, Clara Verdier, Pedro Carvalho, Diego Goullart, Ivo Müller, Pedro Caetano, Felipe Frazão e Sidney Santiago.
Brasil, 2015

Produzido com R$ 200 mil de uma campanha de auto financiamento coletivo, O Diabo Mora Aqui é a primeira adaptação a fazer parte da obra transmídia chamada Urbania, criada pelo produtor M. M. Izidoro. Baseado em lendas urbanas nacionais, o projeto tem como objetivo unir esses contos para que elas vivam e interajam umas com as outras em novos e variados formatos, como filmes, séries de TV, livros e até mesmo videogames.

Vai por mim, entrar no porão nunca é uma boa ideia

Dirigido pela dupla Rodrigo Gasparini e Dante Vescio, que já vem trabalhando juntos em alguns curtas-metragens de terror, o filme mescla aspectos do folclore brasileiro com clichês do cinema de horror. Quatro jovens (Mariana Cortines, Clara Verdier, Pedro Carvalho e Diego Goullart ) vão passar as férias em uma casa de campo. Lá, descobrem a história do perverso Barão do Mel (Ivo Müller), um antigo senhor de escravos e a chamada Noite do Bento.

Essa história ainda assombra a região até os dias atuais: um bebê recém-nascido, filho de uma escrava, teria sido usado num ritual de sacrifício e sua alma estaria presa no porão da velha casa. De tempos em tempos, Bento (Sidney Santiago), um escravo, volta dos mortos por uma noite, para garantir a manutenção desse ritual. Sem compreender ou mesmo levar a sério a lenda, os quatro amigos tentam libertar o espírito infantil. A trama ganha ainda mais tensão, quando dois irmãos (Pedro Caetano e Felipe Frazão) também chegam a casa com uma tarefa herdada, transmitida em geração a geração em sua família: impedir que as almas sejam perturbadas.

A ideia de brincar com os clichês do horror misturados com a cultura popular brasileira é interessante e confere charme à produção, o problema do longa é que ele não transpõe esses clichês e acaba soando como um grande déjà-vu, ao menos para quem já é habitual espectador do cinema de horror. Outro problema é a falta de gore, principalmente quando você nota que uma das principais referências do filme é The Evil Dead, clássico de Sam Raimi (jovens em uma casa distante, com um mal que vem do porão). As atuações, no geral, também deixam a desejar, embora não cheguem a comprometer. Aliás, do elenco, vale destacar o bom trabalho de Ivo Müller, como o Barão do Mel.

Tecnicamente impecável, O Diabo Mora Aqui tem uma bela fotografia, maquiagem e excelente figurino, que dão identidade visual ao filme. Além disso, a direção consegui imprimir tensão às cenas de suspense, assim como a boa trilha sonora. Outro ponto positivo, é que o filme praticamente não recorre ao jumpscare, algo que tomou conta do cinema de horror norte-americano e considero desnecessário e quase sempre irritante.


Espalhe!

Dri Tinoco

Formada em Letras, apaixonada por Literatura e viciada em Cultura Pop. Tornou-se irremediavelmente fã de Jaspion aos 3 anos. Quando criança (e ainda hoje) preferia os filmes do Schwarzenegger a qualquer desenho da Disney e acha que o Viggo Mortensen também é lindo sem a caracterização de Aragorn