REVIEW – OSCAR 2016: CAROL

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Direção: Todd Haynes
Elenco: Cate Blanchett, Rooney Mara, Kyle Chandler, Sarah Paulson.
EUA, 2015

Carol é um dos filmes que disputam estatuetas do Oscar 2016 que já estão em cartaz aqui nos trópicos, num cinema perto (ou não) de você. Dirigido por Todd Haynes, Carol narra o encontro de duas pessoas de mundos totalmente diferentes que acaba se tornando uma grande história de amor.

Carol Aird (Cate Blanchett) é uma dona de casa de classe alta, mãe de uma filha pequena e está prestes a se divorciar. Totalmente por acaso ela conhece Therese Belivet (Rooney Mara), uma filha de proletários atendente de loja e aspirante a fotógrafa, que na verdade não sabe ainda o que quer da vida. De cara há uma atração mutua entre as duas, mas como a trama é ambientada na Nova York da década de 50, como outras obras de Haynes, dá para imaginar as dificuldades de se assumir uma paixão por alguém dos mesmo sexo.

A partir daí a direção impecável de Haynes com a ajuda de uma belíssima fotografia, de uma bela e bem conduzida trilha sonora (indicada ao Oscar), além dos desempenhos fantásticos das duas protagonistas, mergulhamos nas vidas de Carol e Therese, descobrindo seus sentimentos, enquanto as personagens fazem uma viagem onde procuram conhecer a própria identidade.

Carol, uma mulher madura, que devido aos preconceitos da sociedade hipócrita não pôde ser ela mesma e foi obrigada a viver presa em um casamento infeliz, hoje mais segura de si quer se libertar. Therese, uma jovem tímida que não entende ainda seus próprios desejos, tem um namorado que ela não ama e que quer empurrá-la para a vida que toda garota sonha, ou ao menos como diz a sociedade tradicional, o American Way of Life, mas também em qualquer outro país, ou seja, marido e filhos. Conhecer Carol vai mudar sua vida para sempre.

Carol é um filme em que cada um dos gestos exercido pelas personagens dizem muito. Quando chega na cena de sexo, ela é quente, mas para quem só quer ver Cate e Rooney se pegarem, lembre- se que é uma história de amor, não é um filme para fetiche masculino, quem quer só isso procure outro. A cena é também singela e delicada, muito bem filmada. Uma das melhores cenas de amor do cinema nos últimos tempos.

Todd Haynes mostra competência e preocupação com os mínimos detalhes como já demonstrou em seus outros filmes, por exemplo, Velvet Goldmine, Longe do Paraíso e Não Estou lá. Interessante que Carol tem sido elogiado por onde passa e sendo indicado a vários prêmios, mas o filme embora tenha seis indicações ao Oscar, Haynes foi mais uma vez ignorado como diretor e a película não concorre a melhor filme, embora seja superior a vários dos concorrentes. Isso era esperado, tal qual Longe do Paraíso, ao falar da condição da mulher nos anos 50 o diretor toca em feridas da sociedade americana que desagrada muitos.

As indicações de Cate Blanchett (já com dois Óscares na estante em casa) e Rooney Mara (segunda indicação) são mais do que merecidas. Carol seduz não só Therese, mas todos nós. A personagem de Mara, por sua vez está longe do estereótipo da jovenzinha inexperiente seduzida por uma mulher mais velha, é muito mais que isso, ambas demonstram força e ao mesmo tempo docilidade, medos e hesitação.

Por fim, Carol tem também direção de arte e figurino impecáveis. Um dos melhores filmes do ano e, creio, o melhor romance dos últimos tempos.

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Dre Tinoco

Geográfo, viaja tanto que quase não tem tempo para escrever nessa josta. Mas, sempre dá um jeito de ver as postagens com a Natalie Portman

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