Review – Punho de Ferro

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Marvel’s Iron Fist
Direção: Vários
Elenco: Finn Jones, Jessica Henwick, Tom Pelphrey, David Wenham, Rosario Dawson, Carrie Anne-Moss, Jessica Stroup,
EUA, 2017


Me preparando para assistir a vindoura série dos Defensores, terminei, enfim, de assistir as aventuras do Punho de Ferro. Lembram do que escrevi no finalzinho do review da medíocre Luke Cage? Não? Escrevi que para a série do Punho De Ferro ser pior, ela teria que ser um troço horroroso. Poizé, e não é que os caras conseguiram?


Daniel Rand ( Jones) é o herdeiro de uma grande fortuna. Durante 15 anos ele foi dado como morto, após o avião em que viajava com seus pais se esfacelar no Himalaia. Danny sobrevive e é salvo por monges, passando a viver na cidade mística de K’un-Lun, onde aprende a canalizar seu chi e se torna o Punho de Ferro. Voltando a Nova York, ele tenta recuperar seu lugar na empresa, agora sob comando de seus amigos de infância, os irmãos Joy (Stroup) e Ward Meachum (Pelphrey). Só que ele vai precisar provar a todos que é realmente quem diz ser e ainda lutar contra o que parece ser uma franquia pobre do Tentáculo, que vem usando a empresa para seus empreendimentos. Ele terá a ajuda de Colleen Wing (Henwick), um interesse romântico forçado, e da super enfermeira Rosario Dawson, claro.


Punho de Ferro já começa assustando na abertura. Sério, ela é ruim demais. Feia e genérica, com o que parece ser um boneco de piche fazendo movimentos de luta ao som de uma trilha muito parecida com a da abertura de Stranger Things. Passa longe das aberturas inspiradas das outras séries, cheias de referências como ao noir (Jessica Jones) ou ao Blaxploitation (Luke Cage). Eu esperava algo mais oriental, sei lá. Aberturas de filmes antigos como Vingança Forçada (com Chuck Norris!) ou Ninja- A Máquina Assassina são bem mais bacanas, por exemplo.


Mas vamos a série. Well, ela é o que a abertura promete. Certamente a pior e mais mal acabada de todas as produções Marvel/Netflix. Temos aqueles problemas de sempre: Diálogos expositivos, cenas longas demais, personagens mal desenvolvidos, só que elevados ao quadrado. Os dois primeiros episódios até são razoáveis, com Danny tentando provar sua real identidade e pegar sua empresa de volta. Tem até a direção do sumido John Dahl, diretor que fez uns filmes bem bacanas nos anos 90. Então, esse lance da empresa (fiel as origens quadrinhisticas do personagem, mas que já vimos em uma porrada de produções com super-heróis) se resolve rapidamente nos primeiros capítulos e quando a trama abre para a entrada do Tentáculo e da Madame Gao (personagem que parecia bem promissora lá na primeira temporada de Demolidor), você pensa que a coisa pode melhorar. Mas aí que ela degringola de vez.


É uma série estrelada por um personagem que usa artes marciais. Você pensa que quando a ação começar, fará a bodega valer a pena. E não, mas não mesmo. As lutas são rápidas e pessimamente coreografadas (com exceção da participação de Collen num vale-tudo). Finn Jones foi uma escolha totalmente.inadequada para o papel. Ele convence menos como lutador do que o Daniel Larusso. Seus movimentos são patéticos de tão lentos, seja quando apenas faz pose ou nas cenas de porradaria generalizada, onde pode perceber-se facilmente quando é trocado por um dublê (excelente decisão da Netflix não colocar um uniforme no personagem, hein?). Jones é péssimo até mesmo quando só tem que falar umas baboseiras sobre o treinamento do personagem. Danny Rand ainda é incrivelmente obtuso e fica realmente difícil torcer por um personagem tão chato e burro.

O restante do elenco sofre com personagens que mudam de atitude o tempo todo, das formas mais incoerentes. A participação de Rosario Dawson é certamente a mais forçada de todas as quatro séries. Sobre os vilões, o empresário interpretado por David Wenham só não é o mais patético porque temos a decepcionante Gao e o caricato Bakuto, que lidera uma versão do Tentáculo ainda pior que a daquele filme da Elektra. Punho de Ferro visivelmente parece ter tido o menor orçamento das produções Marvel/Netflix. Impressionante como a quadrilha de Gao é bem menor do que a mostrada em Demolidor.

As sequências da viagem a “China” que Danny e suas amigas fazem para captura-la só não é o momento mais vergonhoso da bagaça porque tem a base de Bakuto, que mais parece um campus de uma faculdade qualquer. E o que dizer desses “ninjas” que usam armas de fogo? Novos tempos? Sei, mas Bakuto poderia ter ensinado eles a usarem a metranca adequadamente já que um de seus homens, em vez de disparar, usa como espada em uma luta com Collen. Constrangedor.


Punho de Ferro é uma série medonha, nada inspirada, que parece ter sido feita nas coxas. Me deu várias vezes a impressão que os roteiristas estavam de saco cheio e só queriam acabar logo com aquilo. Nas demais séries ainda consegui sentir uma paixão pelos personagens. O que não acontece aqui. Uma pena, pois o tema artes marciais pode ser sempre interessante. Punho de Ferro deixa até com vontade de rever aqueles filmes dos anos 80 com o ninja americano. Aí sim.

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Marc Tinoco

Um cara igual aquela série. Cheio de referências.

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