Review: X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

(X Men: Days of Future Past)

Diretor: Bryan Singer

Elenco: Hugh Jackman, James McAvoy, Jennifer Lawrence, Michael Fassbender, Peter Dinklage, Patrick Stewart, Ian McKellen, Nicholas Hoult, Ellen Page, Evan Peters, Shawn Ashmore, Halle Berry, Omar Sy, Fan Bingbing, Daniel Cudmore, Booboo Stewart, Lucas Till, Josh Helman, Adan Canto, Anna Paquin e Famke Janssen

EUA, 2014

TEM  SPOILERS
De volta á cadeira de diretor, Bryan Singer comanda X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, o quinto filme dos X-Men (sem contar com a aventuras solo do Wolverine). Nesse  X-filme, Singer recorre a realidades paralelas, assim como nos Star Trek de J.J. Abrams para tentar colocar algumas coisas nos eixos e ainda possibilitar a volta do elenco dos filmes anteriores, sem ter que abrir mão do elenco de X-Men: Primeira Classe. Primeira Classe, aliás, que tinha direção de Matthew Vaughn, continua sendo o melhor filme dos X-Men. DOFP é apenas bom  e olhe lá. Em um futuro devastado pela guerra entre humanos e mutantes, Professor Xavier, Magneto, Wolverine, Tempestade, Kitty Pride e alguns outros mutantes menos votados, formam uma resistência e encontram na viagem no tempo um meio de destruir as Sentinelas.
No elenco, James McAvoy demonstra com intensidade a vulnerabilidade de um personagem que consegue sentir a dor dos outros, com direito a uma alusão á dependência química; Michael Fassbender compõe com elegância o seu Magneto, um personagem complexo e cheio de nuances; já Jennifer Lawrence está ótima como a  confusa Mistica. Esses três canalizam as cenas mais dramáticas do filme.  Peter Dinklage também brilha como Bolivar Trask, um cientista que acredita piamente em suas crenças, não exatamente um vilão malvado. Novidade no elenco, Evan Peters acaba surpreendendo como o cínico Mércurio, apesar do visual terrível (design e figurinos nunca foi o forte dos X-filmes). Da galera dos  primeiros filmes, somente Hugh Jackman tem espaço, os demais,não é possível nem se importar com o que acontece a eles, ficam apagados, assim como outros que aparecem pela primeira vez, mas nada fazem que seja digno de nota, como Bishop. Mas, isso eu já esperava, com tantos personagens.
Falando em Hugh Jackman, ele é um ator do qual gosto muito, muito talentoso e carismático, como pode ser verificado não apenas nos filmes dos X-Men, mas em suas suas performances em filmes como Fonte da Vida e Os Suspeitos. Entretanto, o grande problema de seu Wolverine é que, com o passar dos filmes, ele foi ficando mais Jackman e menos Wolverine. Mais galã, menos feroz. A ferocidade e agressividade, características primordiais do personagem nas HQs, são apenas vislumbres nos filmes. Ainda assim, é preciso dizer sobre Jackman que, apesar de tantos filmes vivendo o mesmo personagem, em nenhum momento ele demonstra preguiça em sua atuação.
De resto, Bryan Singer não tem o mesmo êxito que Vaughn e fica devendo sequencias de ação melhores, principalmente no futuro. Outro ponto que torna Primeira Classe superior é que, apesar das sequencias dramáticas, o filme era muito divertido, com humor e aventura bem dosados, além de possuir um ritmo ágil.  Já DOFP é por vezes melodramático e aborrecido.
Para completar, há certas incongruências no roteiro difíceis de engolir. A pior dele é este repentino poder de máquina do tempo de Kitty Pride. Ela só atravessa paredes, o que uma coisa tem haver com outra? Os mutantes  possuem apenas um poder cada (exceto a Vampira,  porque absorveu demais os poderes da Miss Marvel), mutantes com vários poderes é coisa do filme da Geração X. Com tantos mutantes aparecendo, porque não o inventor Forge, que poderia ter criado uma máquina do tempo. Sem falar que, a talentosa Ellen Page, passa o filme todo alisando a cabeça do Wolverine, quando, nas HQs, era ela quem viajava no tempo. Outro ponto fraco é o Fera e as desnecessárias transformações. Era só vontade de imitar o Hulk ou acharam muito necessário mostrar a cara do Nicolas Hoult?
Além disso, é difícil entender são as motivações de Magneto nesse filme. Sério, se alguém entendeu, me explique.  Ele acreditou na história do Wolverine, que Trask não podia morrer, certo? Certo. Por conta disso, ele tenta até matar a Mistica, para  impedi-la, certo? Certo. Então, porque ele decidiu não só matar Trask, como matar Nixon e causar uma tremenda destruição? Vontade de tornar inevitável uma guerra em que os mutantes são derrotados ou ele é tão ingenuo a ponto de crer que os homens ficariam com medo dele e desistiriam dos sentinelas? Não faz sentido para mim.
Junta-se a isso o fato de que Bryan Singer não consegue explicar toda a bagunça que o universo mutante se tornou no cinema e é preciso fazer vista-grossa em alguns momentos. Por exemplo, o filme não traz nenhuma explicação para Xavier, que terminou o terceiro filme com seu corpo despedaçado e a mente abrigada no Fanático, ter no futuro retornado a seu próprio corpo.
Enfim, um bom filme, mas só. E ainda deixa a duvida se se futuramente trabalhar com passado e presente será mesmo uma boa ideia. Entretanto, no próximo filme teremos Apocalipse, o que rende interesse, claro.
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Dri Tinoco

Formada em Letras, apaixonada por Literatura e viciada em Cultura Pop. Tornou-se irremediavelmente fã de Jaspion aos 3 anos. Quando criança (e ainda hoje) preferia os filmes do Schwarzenegger a qualquer desenho da Disney e acha que o Viggo Mortensen também é lindo sem a caracterização de Aragorn
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