Filme do Jaspion, Gavan Infinity e a Bolha do Tokusatsu no Brasil
E a Sato Company segue firme em sua aposta.

O aguardado filme de O Fantástico Jaspion está atualmente em busca de financiamento no European Film Market, evento que integra a Berlin International Film Festival de 2026. O projeto tem orçamento estimado em 10 milhões de dólares — bem abaixo dos 50 milhões divulgados equivocadamente por alguns sites — e prevê filmagens em São Paulo, Rio de Janeiro, Amazônia, além de locações no Japão, como Tóquio e Okinawa. A produção e a distribuição ficarão a cargo da própria Sato Company.

O roteiro, é assinado por Janaína Tokitaka. A história acompanha Jonas, um jovem nipo-brasileiro de 22 anos que vive em São Paulo e que, ao encontrar a lendária armadura de Jaspion, vê sua vida mudar radicalmente. Em meio a uma grave crise ambiental que ameaça a humanidade, ele passa a ser guiado pela androide Anri e precisa redefinir o significado de heroísmo, assumindo o destino de se tornar o novo Fantástico Jaspion e lutar pela proteção do planeta.
O que eu achei da premissa e da “Lendária Armadura”

O que eu achei? Se a sinopse estabelece que já existiu um Jaspion antes, considero uma bobagem chamar o protagonista de Jonas. Seria muito mais bacana que ele se chamasse simplesmente Jaspion. Afinal, não é difícil imaginar que existam vários brasileiros batizados em homenagem ao herói. Vale lembrar que, diferentemente de Gavan ou Jiban, “Jaspion” não é um codinome, mas o nome verdadeiro do personagem — algo que estaria, literalmente, em sua carteira de identidade.

A menção a ele ser “guiado pela androide Anri” significa que veremos uma nova versão da personagem ou existe a possibilidade de participação da atriz original, Kiyomi Tsukada?

Me parece estranho o conceito de “encontrar a lendária armadura de Jaspion”. Na série, a armadura se materializava diretamente em seu corpo. Essa ideia de armadura herdada faria mais sentido se fosse aplicada ao Jiraiya, por exemplo, cuja armadura tinha essa lógica.

No geral, tudo soa um pouco clichê. Particularmente, eu optaria por um recomeço completo, sem reconhecer os eventos da série clássica — até porque não haverá participação especial de Hikaru Kurosaki. Isso abriria caminho para reintroduzir os personagens clássicos de forma natural, sem explicações mirabolantes. O Jaspion poderia ser um alienígena chegando desta vez ao Brasil, com um gingado fantástico.

Claro, eu sou apenas um fã chato. No fim das contas, a grande questão: esse filme realmente vai existir mesmo?
Sato Company e o Clube de Membros: O Tokusatsu na Bolha

O novo Gavan Infinity estreou neste fim de semana com dois episódios no canal da Sato Company. Como a empresa passou a deixar os capítulos exibidos aos sábados disponíveis gratuitamente até domingo, às 10h da manhã, resolvi dar uma chance e conferir a novidade. Sabe, me recuso a assinar o Clube de Membros, pois, na minha visão, esse modelo reforça a manutenção do tokusatsu dentro de um nicho cada vez mais fechado. E ainda ajuda a financiar o filme do Jaspion.


A Sato Company possui um canal dentro do Pluto TV, que é hoje uma das plataformas gratuitas mais populares do país, mas o utiliza basicamente para exibir, de forma incansável, reprises de Jaspion e Jiraiya. Só recentemente — meses atrás — a empresa disponibilizou Kamen Rider Build dublado no Prime Video. A impressão é que a empresa subestima o real potencial e alcance do produto que tem em mãos. O tokusatsu sempre teve ótima recepção no Brasil — basta lembrar o sucesso que Ryukendo alcançou quando foi exibido na RedeTV. Sim, a RedeTV!

Agora, vemos produções sendo trazidas em exibição quase simultânea com o Japão, o que deveria ser um grande acontecimento — mas que acaba restrito a um público fechado, limitado a um clube de membros. Preso a esse modelo, o gênero dificilmente conseguirá romper a bolha e alcançar o público mais amplo que claramente tem potencial para conquistar. Desse jeito, nunca será. É quase como se Toshihiko Egashira tivesse adquirido os direitos de O Fantástico Jaspion e Esquadrão Relâmpago Changeman nos anos 80 e optado por mantê-los restritos ao público de sua locadora, em vez de levá-los à televisão aberta e transformá-los em fenômenos nacionais. Falta justamente essa ambição de alcançar um público maior, de tirar o gênero do acesso limitado e colocá-lo onde ele realmente pode ganhar escala e relevância. Hoje, nos streamings.
Primeiras impressões: Gavan Infinity

Mas vamos ao que eu achei de Gavan Infinity. Os dois primeiros episódios foram ok — nada extraordinário por enquanto, mas tem potencial. As cenas de ação e os efeitos visuais seguem o padrão das produções atuais da Toei Company, e a série ainda está em fase de apresentação de seus personagens e do novo cenário.

Houve algumas referências diretas à série clássica Space Sheriff Gavan, especialmente na forma como explicam o processo de transformação. Vi comentários de que o primeiro episódio foi infantil demais, mas, sinceramente, não encontrei nada que destoe do tom adotado pelas fases mais recentes de Kamen Rider, que equilibram elementos voltados ao público jovem com temas mais amplos.

Foi um começo competente. Pretendo continuar acompanhando para ver como a trama evolui e se esse novo projeto da Toei realmente vai engrenar. Torço para que sim.

Cinema, música, tokusatsu e assuntos aleatórios, não necessariamente nessa ordem




