publique 200 livros na amazon e ganhei muito dinheiro

Escreva 200 Livros por ano e fique rico

IA  e a crise literária

O New York Times publicou uma matéria, ou peça publicitária, que apresenta Coral Hart, uma “autora” que publicou 200 livros no último ano usando inteligência artificial. Ela vê isso como uma vantagem sobre os autores que escrevem seus próprios textos, o que já denota a visão dela sobre arte: “Se eu gero um livro em um dia e você precisa de seis meses, quem ganha a corrida?”.

Porém, que corrida é essa? Eu não estou aqui para falar que o escritor, ou qualquer artista em geral, não pode pensar no fator monetário, afinal é uma profissão, a sua maneira de sustento. Mas, colocar qualquer produção artística como uma corrida, em que o prêmio na linha de chegada é ganhar mais. Então, quanto mais rápido você produz, mais dinheiro você ganha, é uma maneira bem fodida de ver a literatura, de ver arte. Porque a última coisa que você está considerando é a obra que você produz, é a história que você está contando.

Ai, ai, esse capitalismo!

Tudo é produto, tudo é produzido em massa, e da forma mais fuleira, para haver o lucro. E no meio literário, isso gera:

Crise Estética:

É o mais óbvio. A inteligência artificial pode escrever? Sim. Mas, ela faz isso bem? Não. Porque é um algoritmo que pinça aqui e ali a obra de escritores reais e gera os tropes, plot twists e diálogos mais comuns, mais utilizados. Ou seja, ele produz um monte de clichês. É uma máquina. A AI não tem vivências e gostos pessoais para construir uma visão de mundo, construir um senso estético próprio. Então, tudo sai genérico. E vazio. Uma máquina sabe o significado das palavras, mas não conhece as sensações. Por isso, uma característica comum em textos de AI é o excesso de adjetivos e comparações, que às vezes, nem fazem muito sentido, mas é a forma que o algoritmo encontra de simular emoção.

Crise de visibilidade

O mercado já vem sendo inundado por centenas de títulos artificiais, seja livros de ficção ou não. Só observar a loja da Kindle e isso prejudica os autores reais, especialmente os iniciantes, porque se perde visibilidade, além de dividir espaço com outros atores independentes, você tem esse bando de gente produzindo em massa. Só pesquisar no YouTube, tem um monte de coach ensinando a ficar rico inundando o Amazon Kindle de e-books gerados por AI, isso em diversos nichos, do nicho do emagrecimento aos livros infantis.

Crise de confiança

A autora na matéria do New York Times usa um pseudônimo, que é o pseudônimo que ela usa justamente para ensinar esse modelo de negócio, mas quando ela publica esses romances escritos por AI, ela não divulga isso. Os leitores estão comprando livros acreditando que foram escritos por pessoas. Ou seja, é um negócio baseado em uma mentira.

Ai, ai, esse capitalismo, sempre aprontando!

Acompanhe nossos conteúdos em vídeo

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Rolar para cima
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x