Porque artistas pop precisam de identidade musical

Sem identidade, sem longevidade

Você já parou para pensar se, ao ouvir uma música nova no rádio ou no streaming sem olhar para a tela, você saberia identificar quem é o artista? No cenário atual, tanto no K-pop quanto no Pop ocidental, essa resposta está se tornando cada vez mais difícil. Afinal, falta identidade musical a muitos artistas.

Conceito vs. Sonoridade

Uma confusão muito comum é entre identidade musical, a sonoridade do artistas e seu conceito. Vamos pegar o exemplo do grupo sul-coreano Le Sserafim. O conceito delas é “Fearless” (Destemidas). O próprio nome é um anagrama para I’m Fearless. Visualmente e no marketing, elas entregam uma imagem de confiança e força. Porém, quando analisamos a discografia, o cenário muda. A sonoridade do grupo não é tão bem delimitada quanto seu conceito. De Fearless e Antifragile até Easy e Crazy, o grupo saltou por gêneros completamente distintos a cada lançamento. Se você tocar essas faixas em sequência para alguém que não as conhece, dificilmente essa pessoa diria que se trata do mesmo artista. Aqui, o conceito (a imagem) é o norte, mas a identidade musical (o som) parece ficar em segundo plano, flutuando conforme a tendência do momento.

Vida pessoal e características vocais também não são identidade artistica

No Brasil, Luísa Sonza também sofre de problema semelhante. Trata-se de uma artista que investe na parte visual de seus trabalhos e no marketing, mas qual a sonoridade da Luiza? Embora a cantora consiga manter uma linha narrativa através da sua vida pessoal, sonoramente ela se coloca como uma curadora de gêneros.

Outra coisa que é confundida com identidade musical é quando o artista possui um timbre marcando ou uma forma marcante de interpretqar canções. Bom exeplos de como isso não faz identidade musical são Demi Lovato e miley Cyrus. Elas tem vozes marcantes, mas mudam de sonoridade a cada npovo trabalho.

O risco dessa abordagem — tanto para Luísa quanto para grupos como o Le Sserafim — é que o artista pode acabar soando como uma playlist de tendências, perdendo aquele “tempero” único que faz o ouvinte identificar o artista apenas pelo timbre da produção.

Algo que já aconteceu com outros artistas. Por exemplo, o girl group Weeekly foi lançado com um conceito juvenil e conseguiu hitar com a música After School. Em seguida, a empresa do grupo optou por mudar o conceito para algo mais “girl crush”, o que não agradou.

Experimentar sem se perder

É possível mudar e ainda assim ser reconhecível? A resposta é sim. Artistas como David Bowie e Madonna provaram que mudar de “pele” é um triunfo, desde que haja uma essência artistica que amarre tudo. Eles não eram escravos do trends. No KPOP, o Red Velvet é outro bom exemplo. Elas dividem sua identidade entre o lado Red (vibrante e jovial) e o Velvet (mais maduro). Músicas como Zimzalabim e Psycho habitam mundos sonoros diferentes, mas as harmonias vocais e a estranheza intencional da produção gritam “Red Velvet”.

Outra opção é se manter consistente na sonoridade. Artistas como Adele, Stray Kids, AC/DC e Blackpink optam por esse caminho e, muitas vezes, são acusados de serem “repetitivos”, mas eles possuem uma assinatura sonora imediata.

Ter um conceito forte ajuda, mas é a identidade musical que cria longevidade. O desafio para os artistas de hoje — em uma era de consumo rápido e algoritmos — é decidir se querem ser camaleões que definem gêneros ou apenas navegantes que seguem os ventos da próxima trend.

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