resenha critica spielvan

Critica: Jaspion 2 – Spielvan (1986)

Título:Dimensional Warrior Spielban/ Guerreiro Dimensional Spielvan
Título Original:Jikû senshi Spilban
Produção:Toei Company
Direção:
Roteiro:
Elenco:Hiroshi Watari, Makoto Sumikawa, Naomi Morinaga, Machiko Soga, Michiko Nishiwaki
País:Japão
Ano:1986–1987

Jikuu Senshi Spielvan: 40 Anos do Guerreiro Dimensional (e o Mito do Jaspion 2)

Jikuu Senshi Spielban está completando 40 anos em 2026. Exibida no Japão entre 7 de abril de 1986 e 9 de março de 1987 pela TV Asahi, a série chegou ao Brasil em 1991, surfando na onda do sucesso de Jaspion e Changeman.

O Marketing da Rede Manchete: Spielvan era mesmo o Jaspion 2?

Por conta da semelhança visual com Jaspion, Spielvan foi promovida no país como uma espécie de sucessor espiritual do herói metálico, estratégia adotada pela Everest Video e pela Rede Manchete. Recebeu o apelido de Jaspion 2 — felizmente, não vingou. Parecia claramente uma decisão tomada de última hora, já que nem na abertura — que, aliás, nem foi exibida na estreia — nem na dublagem o herói chegou a ser chamado pelo nome de Jaspion (Algo totalmente plausível para a época, considerando a cara de pau com que faziam certas adaptações, como quando rebatizaram o vilão Gozun, de Lion Man, como Satã Goss). Mesmo as primeiras chamadas da Sessão Super-Heróis anunciavam o nome Spielvan, o que reforça mais a certeza de que a tentativa de emplacar o título safado de Jaspion 2 foi uma decisão tardia.

Naquela época, eu estava completamente mergulhado em um hiperfoco por Jaspion, então é claro que a notícia da estreia na Sessão Super-Heróis me deixou empolgado. A ideia de uma continuação das aventuras do personagem acendeu minha imaginação: seria o bebê Tarzan Galáctico, agora crescido, vestindo uma nova armadura e dando continuidade ao legado do pai adotivo? Eba!

Não preciso dizer o tamanho da decepção. Bastaram os primeiros minutos do episódio de estreia para perceber que não havia qualquer ligação com Jaspion. Quando ouvi o nome “Spielvan” pela primeira vez, a reação foi imediata: troquei de canal. Durante alguns dias, meu ritual era assistir Kamen Rider Black e, em seguida, dar adeus à Manchete. Na minha cabeça de fã, aquilo soava como uma traição — como ousaram me enganar assim? Risos. Com o passar do tempo, resolvi dar uma nova chance ao herói — e hoje tenho um carinho especial pela série, apesar de suas imperfeições.

A Trama: Perda, Vingança e o Império Water

A história de Jikuu Senshi Spielban é movida por perda, dor e um forte desejo de vingança. O maligno Império Water destruiu o planeta Clean, sequestrando o pai — o cientista Doutor Paul — e a irmã do guerreiro dimensional, Helen. Ao lado de sua fiel parceira Diana, Spielvan cruza o espaço a bordo da nave Defender e chega à Terra com um objetivo claro: impedir que o nosso planeta tenha o mesmo destino trágico que o seu.

No entanto, a missão ganha um peso ainda mais cruel quando ele descobre que seus próprios entes queridos foram transformados em instrumentos do inimigo. Seu pai já não é mais o mesmo, agora é o frio e implacável Dr. Bio. Já sua irmã foi convertida pelo próprio pai na enigmática, calculista e estilosa Herbaira, cuja missão é tão simples quanto devastadora: eliminar o próprio irmão.

A carga dramática dos primeiros episódios, aliada às boas cenas de ação e ao visual marcante dos heróis, de Herbaira e da Tropa Mecanóide — aqueles “robozões” gigantes que funcionavam como monstros da semana — tinha tudo para transformar Jikuu Senshi Spielban em uma grande série.

O alívio cômico desnecessário

Infelizmente, há um elemento que compromete bastante essa equação: Daigoro Koyama. Inventor e proprietário da Casa de Invenções Thomas Edison, ele se enxerga como um gênio — embora suas criações sejam completamente inúteis. Mulherengo fracassado, foi concebido como o alívio cômico da série. A intenção era claramente repetir a fórmula de Kojiro, o atrapalhado engraçado presente na trilogia dos policiais do espaço. Mas, ao contrário do modelo que tentava emular, Daigoro se mostrava exagerado, sem graça, simplesmente insuportável.

O personagem já ganha destaque logo no primeiro episódio, o que torna seu humor forçado ainda mais evidente desde o início. Curiosamente, esse tipo de figura esteve ausente em Jaspion, e tudo indica que a Toei Company quis compensar isso, garantindo que não faltasse um palhaço em Spielvan. No fim das contas, a aposta não parece ter funcionado. Daigoro desaparece da série sem qualquer explicação após o episódio 19 — um sumiço que deve dizer algo sobre sua recepção junto ao público.

Vilões e o Desfecho da Série

Infelizmente, a saída de Daigoro não foi suficiente para corrigir os problemas de Spielvan. Faltavam vilões que realmente transmitissem uma sensação de ameaça consistente ao longo da trama. Nem o insosso Guiotini, nem o Fantasman (claramente pensado como uma espécie de equivalente ao Leider de Sharivan) conseguiram cumprir esse papel. Quem acaba se salvando é o carisma inegável da veterana Machiko Soga, que domina a cena como a imponente Rainha Pandora — uma presença que, sozinha, já eleva o nível da coisa.

Com a entrada de Guiotini, a série decide explorar com mais força a questão do espaço-tempo, mas a execução deixa a desejar. A abordagem soa pouco inspirada, culminando em um desfecho confuso. É uma pena, porque o episódio final até se sustenta bem durante boa parte de sua duração — mas acaba se perdendo justamente nos momentos decisivos, comprometendo o encerramento.

Pontos Fortes: Armadura Clean-Metal e Lady Diana

Ainda assim, Spielvan tem vários elementos que me agradam — e muito. A armadura Clean-Metal, por exemplo, continua sendo, até hoje, um dos designs mais bonitos já produzidos pela Toei Company. Dentro da franquia dos Metal Heroes, para mim ela só fica atrás dos visuais de MacGaren e Solbraver.

Outro detalhe curioso é que Spielvan já empunhava uma espada de lâmina dupla muito antes de Darth Maul — o que compensa aquele robô gigante meio bosta. Também curtia bastante a ideia da Viagem Dimensional, que levava os combates para longe das cidades, sempre terminando na clássica pedreira da Toei — um charme das produções da época.

A parceira Diana é outro grande acerto. Lady Diana não se limitava ao papel de coadjuvante: tinha sua própria armadura, participava ativamente das batalhas e dividia o protagonismo em vários momentos. Em alguns episódios, Spielvan precisava salvá-la; em outros, era ela quem virava o jogo.

Por outro lado, é uma pena como o arco dramático da irmã, Helen, vai sendo deixado de lado com o tempo. A ideia de vê-la forçada a enfrentar o próprio irmão sob a identidade de Herbaira era forte e cheia de potencial, mas acaba sendo subaproveitada. Quando finalmente é libertada, Helen passa a integrar o time como Lady Helen, utilizando uma armadura reserva de Diana. Funciona dentro da proposta heroica, claro — mas fica a sensação de que algo se perdeu no caminho, especialmente pelo abandono daquele visual marcante e da aura ameaçadora que Herbaira carregava.

Elenco Estelar

Falando nela, um excelente motivo para revisitar Spielvan é, sem dúvida, o seu elenco — talvez um dos mais bonitos e carismáticos do tokusatsu.

À frente, temos Hiroshi Watari, que já havia brilhado como o herói de Sharivan e também fez o sidekick Boomerman em Jaspion. Aqui, ele entrega mais uma boa performance, com presença física e carisma de sobra.

Ao seu lado, Makoto Sumikawa dá vida à Diana — e é simplesmente irresistível em cena, equilibrando força e sensualidade com naturalidade. Já Naomi Morinaga, que já havia roubado a cena em Uchuu Uchuu Keiji Shaider como a valente Annie, repete o feito aqui no papel de Helen. Sua expressão lindamente melancólica dá à personagem uma carga emocional que consegue transmitir com bastante delicadeza. Na dublagem da Álamo, esse charme ganha ainda mais força com a voz marcante de Patricia Scalvi, que acrescenta uma camada extra de sensualidade e dramaticidade à personagem.

Vale destacar também o trio da tropa espiã, especialmente a presença hipnotizante de Michiko Nishizawaki. Com trabalho ao lado de Jackie Chan e carreira posterior como dublê em Hollywood, ela é dona de um corpo escultural e uma imponência física impressionante.

Curiosidades e VR Troopers

Antes de encerrar, vale lembrar que tanto o Doutor Jean Marrie de Jiban quanto o Imperador Neroz de Metalder parecem ter revirado a lata de lixo do General Deslock ao adotarem o plano de colocar uma bomba em uma pessoa querida do herói como forma de tentar eliminá-lo. Deslock, no entanto, nunca chegou a colocar esse plano em prática.

Posteriormente, Spielvan acabou sendo reaproveitado para o público americano ao lado de Metalder e Shaider. O material foi adaptado pela Saban Entertainment na hedionda série VR Troopers. O resultado é uma colagem caótica das cenas de três produções japonesas diferentes com material original americano. De tão bizarra e malfeita, acaba dando a volta completa e se tornando divertida.

Qualidades justificam uma olhada

Spielvan não teve para mim o mesmo impacto que Jaspion, mas ainda assim reúne qualidades mais do que suficientes para justificar a revisita. O elenco carismático, as cenas de ação inspiradas, o visual criativo dos monstros da semana e uma trilha sonora vibrante fazem a experiência valer muito a pena.

E é impossível não destacar a que talvez seja a música de encerramento mais melancólica e marcante do gênero: Kimi no Nakama da Spielban, interpretada pelo saudoso Ichiro Mizuki. A canção carrega uma carga emocional enorme e combina perfeitamente com o tom trágico dos primeiros capítulos da série. Ela acaba sendo substituída após o episódio 10 — mas, em compensação, sua sucessora, Kesshou Da!! Spielban!!, também é do cacete ( A trilha toda de Spielvan é).

Cotação:

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Rolar para cima
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x