| Título: | Comando Estelar Flashman |
| Título Original: | Choushinsei Flashman Flashman |
| Showrunner: | |
| Direção: | Shohei Tôjô, Takao Nagaishi, Minoru Yamada, Nagafumi Hori |
| Roteiro: | Hirohisa Soda, Kunio Fujii, Toshiki Inoue, Takao Nagaishi, Michiru Shimada, Keiji Terui |
| Elenco: | Touta Tarumi, Youko Nakamura, Yasuhiro Ishiwata, Kihachiro Uemura, Mayumi Yoshida, Kôji Shimizu, Sayoko Hagiwara, Yutaka Hirose, Miyuki Nagato, Yuka Kojima, Jôji Nakata, Hiroko Maruyama, Akira Ishihama, Tamie Kubota, Hiroyuki Uchida |
| País: | Japão |
| Ano: | 1986 – 1987 |
Comando Estelar Flashman: 40 anos
“Um dia, cinco crianças foram raptadas da Terra e levadas aos confins do Universo. E, após 20 anos… Comando Estelar Flashman!”

Difícil não ser fisgado por uma introdução dessas. Era assim que se iniciava a abertura de Flashman, uma das melhores séries da hoje finada franquia Super Sentai da Toei Company. Lançada em 1º de março de 1986, a produção acompanhava as aventuras dos jovens criados no Planeta Flash e em seus satélites, misturando drama, ficção científica e heroísmo como poucas conseguiram fazer. Em 2026, Choushinsei Flashman (seu título original) completa 40 anos.
Flashman é daquelas séries que marcaram uma geração e permanecem vivas na memória de quem cresceu assistindo tokusatsu. Chegou ao Brasil em 1989, pela Rede Manchete, surfando no sucesso estrondoso de Jaspion e Changeman, e rapidamente conquistou um lugar especial no coração dos fãs.

Equilíbrio entre Drama e Ficção Científica
A série se destaca pelo equilíbrio preciso entre ação, drama e comédia. Começa com um tom levemente mais sério e melancólico, pontuado por momentos de humor, e evolui, em sua reta final, para uma carga dramática intensa — algo que poucos títulos da franquia Super Sentai ousaram explorar à época. Tanto os heróis quanto os vilões do Império Mess possuem personalidades bem definidas, fugindo do maniqueísmo raso. Flashman investiu no desenvolvimento psicológico de seus personagens de maneira rara para uma produção voltada ao público infantil.

A Trama: O Sequestro e o Retorno à Terra
Mas, para quem não nasceu nos anos 80, vamos à trama.
Diferente da maioria das equipes do gênero — geralmente formadas por heróis escolhidos por alguma organização defensora da Terra — os Flashman carregam uma origem marcada pela tragédia. Em 1966, cinco crianças foram sequestradas do planeta por caçadores espaciais a serviço do Império Mess. O destino delas só não foi selado graças à intervenção dos alienígenas do Planeta Flash, que as resgataram e as criaram longe da Terra.


Submetidos a treinamentos extremos, os jovens foram preparados para sobreviver nos ambientes mais hostis do universo. Vinte anos depois, já adultos, eles finalmente retornam ao seu mundo natal para tentar impedir a invasão do Cruzador Imperial Mess, comandado pelo bizarro Monarca La Deus e pelo maquiavélico Doutor Keflen.

Os cinco heróis são:
- Jin (Red Flash): O líder determinado;
- Dan (Green Flash): A personificação da força bruta;
- Go (Blue Flash): O acrobata;
- Sara (Yellow Flash): A alma sensível do grupo;
- Lu (Pink Flash): A moleca da equipe, capaz de levitar.
- Eles têm a companhia da robô Mag, que não é apenas uma mascote e participa bastante da saga.

O Conflito Existencial e o Efeito Flash Negativo
O que torna esse time um dos mais especiais entre os esquadrões de heróis coloridos é que eles não se limitam a saltar em meio a explosões de pedreira. Eles carregam um profundo conflito existencial ligado à própria origem. Ao longo de toda a série, a narrativa é atravessada pela busca dos Flashman por seus pais, transformando a jornada heroica em algo também íntimo, doloroso e profundamente humano.

Quando o Efeito Flash Negativo é introduzido, a trama ganha uma camada ainda mais profunda e trágica. Em uma reviravolta cruel — responsável por um dos finais mais amargos da história do tokusatsu — os heróis descobrem que seus corpos, biologicamente adaptados ao Planeta Flash, passaram a ser rejeitados pela atmosfera terrestre.
A partir daí, os Flashman travam uma corrida desesperada contra o tempo: precisam salvar a Terra sabendo que a vitória terá um preço definitivo. Se forem bem-sucedidos, não poderão permanecer no planeta que sempre sonharam em chamar de lar, sendo obrigados a deixá-lo para sempre.
Vilões Memoráveis: O Império Mess e Kaura

Mas nenhuma boa trama de super-heróis se sustenta sem vilões à altura — e Flashman acerta em cheio nesse aspecto. Seus monstros grotescos e líderes excêntricos ajudam a construir uma atmosfera sombria. O Monarca La Deus talvez seja o chefão de visual mais impactante de toda a franquia, uma figura quase operística em sua imponência.


Já o Doutor Keflen, interpretado com grande talento pelo veterano Kouji Shimizu, é o verdadeiro coração do mal na série. Principal antagonista da trama, ele possui uma história densa e cuidadosamente desenvolvida, que culmina em um desfecho memorável. Cientista e médico geneticista brilhante, Keflen é o responsável pela criação da maior parte do Império Mess — o que torna seus “filhos” vilanescos ainda mais interessantes.
- Wandar se destaca como um vilão deliciosamente caricato, quase canastrão;
- Nefer (a belíssima Syoko Hagiwara, que foi heroína em Dynaman) surge como a musa sádica do império, marcada por claros daddy issues;
- Urk e Kirt formam um casal lésbico;
- Gals é… simplesmente o Gals
- Medusan, o responsável por agigantar os monstros da semana, chama atenção pelo visual marcante e a musiquinha tema tenebrosa.

Mas o grande destaque entre os antagonistas é, sem dúvida, Kaura, vivido de maneira espetacular pelo ótimo Jouji Nakata. Ele faz sua entrada marcante no marcante episódio 15, acompanhado de seu grupo de caçadores espaciais. Foi ele o responsável pelo sequestro dos Flashman ainda crianças, e carrega consigo segredos cruciais sobre o passado dos heróis. Kaura também será responsável pela primeira queda do Flash King, o robô gigante dos heróis
Dotado de um código de honra próprio, Kaura intensifica os conflitos da série e estabelece uma rivalidade crescente com o Doutor Keflen, que se transforma em uma verdadeira guerra nos episódios finais. No ápice de sua fúria com o cientista, o caçador espacial não respeita nem o Monarca La Deus e estabelece uma relação conflitante com Sara. O confronto final com Red Flash é uma versão melhorada do ultimo duelo de Change Dragon e Bubba em Changeman (1985).


Tecnologia e Mechas: Flash King e Gran Titan
Flashman foi o primeiro esquadrão a contar com mais de um robô gigante. Quando o Flash King é derrotado, os heróis passam a contar com o carismático Titan Jr (Titan Boy no original), que posteriormente evolui para o imponente Gran Titan — uma segunda e massiva unidade robótica, concebida como um reforço pesado para dar fim aos monstros. Depois disso as equipes posteriores passaram a ter três, dez, vinte robôs.
Trilha Sonora e a Dublagem Clássica da Álamo

Mais do que uma simples série de ação para crianças, Comando Estelar Flashman é uma obra sobre pertencimento, identidade e saudade — temas universais que ajudam a explicar por que a produção segue tão viva na memória afetiva do público, mesmo décadas depois. Sua trilha sonora empolgante, repleta de músicas enérgicas e BGMs poderosas, aliada à dublagem clássica da Álamo, ajudou a eternizar frases, bordões e gritos de guerra que ainda hoje permanecem na lembrança dos fãs.
Pessoalmente, a dublagem de Flashman só não é perfeita por uma decisão infeliz nos episódios mais avançados: a escolha de colocar os próprios dubladores dos heróis para interpretar os grunhidos dos Soldados Zolos. Mesmo quando criança, isso já soava estranho par amim; hoje, torna-se ainda mais difícil de ignorar. Funcionava melhor no início, quando se preservava o áudio original, como acontecia com os Soldados Hidler em Changeman. Nesse ponto, fico sem hesitar com a versão original.
Veredito: Por que Flashman ainda é o melhor?


Preciosismos à parte, Flashman é uma série que se sustenta não apenas por seus uniformes, robôs ou batalhas, mas principalmente por ousar contar uma história melancólica, madura e profundamente emocional. É por isso que, ainda hoje, a considero a melhor da franquia. Pode existir alguma superior? Talvez. Ainda não vi todas. Mas, até agora, nenhuma superou. Sim, já assisti Bioman, que gosto muito, e Jetman, que reconheço qualidades — embora, para mim, não alcance o mesmo impacto nem de longe.
Flashman sempre permanecerá marcada na minha memória por episódios dramáticos como O Destino de Go e soturnos como Hora Fatal. E, claro, por aquele adeus agridoce, um dos momentos mais fortes e inesquecíveis do tokusatsu.
Cotação:


Cinema, música, tokusatsu e assuntos aleatórios, não necessariamente nessa ordem






