Robot Monster: um desastre adorável

Esse texto sobre Robot Monster foi publicado originalmente na plataforma Peliplat, no concurso com o tema “Filme B do Coração

Existem filmes que parecem ter nascido de um erro de cálculo cósmico — não porque sejam ousados, experimentais ou revolucionários demais para sua época, mas apenas por serem simplesmente desengonçados. Robot Monster (1953), de Phil Tucker, é a quintessência desse tipo de maravilha. É o tipo de obra que faz você rir, arregalar os olhos e, no fim, aplaudir: não porque foi bem feita, mas porque a sua falta de jeito virou seu charme.

A premissa cabe numa linha: um invasor espacial vem exterminar a humanidade. A execução, porém, é outra história. Ao invés de armas laser, naves em corridas alucinantes ou confrontos grandiosos, o que temos em grande parte do filme é o desfile lento de Ro-Man, um gorila com capacete de mergulho, com andar despreocupado de aposentado rumo ao mercado, vagando pelo deserto californiano, sobindo ladeira, descendo ladeira. Porém, o melhor é que esse vilão intergaláctico é encarado pelo longa-metragem com extrema seriedade.

Quando não está passeando ao sol, Ro-Man participa de conferências por vídeo com seu superior — o Grande Guia. Tal qual qualquer CLT, o gorilão está subordinado a um chefe que reclama que o funcionário cósmico não bateu as metas e não aponta nenhuma solução.

Os humanos sobreviventes do filme — que poderia ser alguma família típica de sitcom americana, com pai, mão, filha, filho e noivo da filha — merecem menção especial. Em tese, eles representam “o último pedaço da humanidade”; na prática, agem com a mesma energia de quem esqueceu o arroz no fogo: um misto de leve incômodo e resignação. O drama que deveria pesar sobre os personagens se dissolve em diálogos caricatos e sequências repetitivas do pequeno grupo andando em uma ruina sem teto e com poucas paredes, mas agindo como se estivesse em uma confortável casa no suburbio, conversando banalidades.

E aí chegamos a algo que não pode faltar em um grande filme B: os efeitos especiais. Se você acha que já viu efeitos baratos, espere até ver dinossauros em stop-motion reciclados de outros filmes e tatus reais com chifres de plástico colados nas costas. Essa fauna improvisada é talvez a melhor metáfora para o espírito do longa: criatividade em falta de recursos. E uma certa ingenuidade em, apesar da notável pobreza, ainda tentar falar sério e causar reflexão no público sobre o futuro da humanidade.

Apesar de todos os defeitos — ou justamente por eles — Robot Monster sobreviveu ao tempo. Ele é um lembrete de que a linha entre fracasso e genialidade é muito mais fina do que parece. A total falta de recursos, a seriedade com que o filme leva sua própria bobagem, e o carisma involuntário de Ro-Man transformaram esse projeto falido em uma pérola do cinema trash.

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